ENEM 2012 - O movimento imigratório para o Brasil no século XXI

Enviada em 24/03/2022

Desde a vinda dos exploradores portugueses e escravos africanos até a imigração de europeus e asiáticos incentivada pelo governo na década de 60, o Brasil, histo-ricamente, é composto por uma miscigenação de povos. Essa mistura, já incluída na cultura brasileira e aceita pela população, forma a identidade sociocultural do país. Atualmente, porém, os novos imigrantes estão sendo alvo de intenso pre-conceito e exclusão social por parte dos nativos.

Advindos de países em situação de miséria, guerra ou desastre natural, a maioria dos estrangeiros é obrigada a migrar de sua origem em busca de melhores con-dições de vida. Sem recursos financeiros, moradia ou segurança, dependem do governo e da população brasileira para poderem sobreviver. Essa ajuda, no en-tanto, nem sempre é garantida. As barreiras na emissão de visto, a restrição do trabalho e a forte repressão local e, muitas vezes, policial são alguns dos atos de violência e racismo praticados contra os imigrantes. O caso da morte de um con-golês em janeiro de 2022, fatalmente espancado no Rio de Janeiro, demonstra a permanência da xenofobia no Brasil.

Mário Sérgio Cortella, filósofo e professor universitário brasileiro, explica que a própria palavra estrangeiro, ou forasteiro, mostra esse preconceito existente. Am-bas têm uma derivação excludente – “aquele que é estranho” ou “aquele que é de fora” – e, consequentemente, demonstram o medo do brasileiro do desconhecido e de quem, supostamente, “não pertence”. Esse temor deriva de uma cultura xe-nófoba que incentiva, ou se omite a não incentivar, preocupações infundadas co-mo: aumento da criminalidade, imposição cultural e “furto” de vagas de emprego em decorrência da imigração.

É notório que a urgência de migrar de seu país de origem indica a inexistência de más intenções dos estrangeiros, além de os colocar em uma situação de vulnera-bilidade. É necessário, então, que o Estado conscientize a população por meio de campanhas educativas na mídia acerca das consequências da xenofobia; além de prosseguir para melhorar políticas de prevenção à exclusão de imigrantes, im-plantando maiores facilidades para permanência no país e intensificando a fiscali-zação. Assim, “aquele que é de fora” pode pertencer como todos os brasileiros.