ENEM 2013 - Efeitos da implantação da Lei Seca no Brasil
Enviada em 15/09/2019
Beber e dirigir é uma mistura fatal. No brasil, metade das mortes no trânsito são causadas por esse hábito. Para diminuir essa estatística tão sangrenta, o Estado outorgou a lei seca que, em poucos anos de atuação, já apresenta bons efeitos. Ela deve ser mantida. No entanto, é comum encontrar falhas na sua operacionalização. Essa medida pune e controla o infrator apenas pelo medo de ser atuado. Ela ainda não é capaz de educar a sociedade. Diante disso, é imprescindível que Estado e sociedade mobilizem-se para ampliar os benefícios que a lei pode alcançar.
Desde que foi implementada, a lei seca já foi responsável por diminuir as vítimas no trânsito. De acordo com dados do Ministério da Saúde, reduziu em 6,2% a média nacional de mortes e, na Grande Rio, em 27% o número de acidentes. Também nessa região, caiu 13% o atendimento hospitalar. Somado a isso, grande parte da população apoia o uso do bafômetro para fiscalizar as ruas brasileiras. Esse apoio fica ainda mais evidente quando surgem campanhas de empresas privadas que defendem a iniciativa governamental. Exemplo disso são as propagandas de aplicativos de caronas e também de empresas que vendem bebidas alcoólicas com a temática do “se beber, não dirija”.
É importante perceber que a lei seca, apesar de tantos benefícios, configura-se apenas como uma punição. O sujeito sabe que está sendo vigiado e precisa lidar com as consequências - como multa, pontos na carteira e prisão - e, para evitá-las, cumpre a legislação. A longo prazo, a medida perde sua eficácia, já que é impossível vigiar todas as esquinas boêmias das cidades brasileiras. Não há bafômetros nem contingente policial que abarquem todo o território. Em outras palavras, a lei não educa o motorista. Ainda não é capaz de fazê-lo entender a necessidade de respeitar para preservar a própria vida e a de outros. Essa legislação precisa ser compreendida como o grande Leviatão de Thomas Hobbes: um monstro que protege a todos por meio da coerção. para garantir-lhes a sobrevivência.
Diante dessa problemática, fica evidente a necessidade de Estado e população unirem forças para melhorar a conscientização do motorista brasileiro. O tempo gasto nos cursos de formação de condutores é grande, então dentro dessa grade deve ser inserido palestras com especialistas no assunto, além de um contato direto com pessoas que foram vítimas da irresponsabilidade de motoristas embriagados. E, para cuidar da questão desde cedo, o MEC pode seguir o conselho de Mandela e instruir crianças, pois a educação é a arma mais poderosa para mudar o mundo. Um solução a longo prazo é ensiná-las a respeitar a vida, não apenas as leis pelo medo da punição.