ENEM 2013 - Efeitos da implantação da Lei Seca no Brasil
Enviada em 18/11/2021
Em “O Auto da Barca do Inferno”, o autor português Gil Vicente tece uma crítica ao comportamento vi-cioso do século XVI. Fora da ficção, o Brasil contemporâneo demonstra as mesmas conotações no que se refere ao consumo imprudente de bebidas alcóolicas, sendo necessária a implantação da Lei Seca no país. Contudo, o individualismo e questões socioculturais da sociedade dificultam a total eficácia dessa lei.
A princípio, o egoísmo da população se mostra um fator agravante da problemática. Nesse sentido, na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a sociedade atual é fortemente influencia-da por esse individualismo. A tese do sociólogo pode ser observada de maneira específica na realidade brasileira no contexto dos indivíduos que dirigem seus carros alcoolizados, pondo em risco a vida de outras pessoas, uma vez que, segundo a Associação Brasileira de Medicina do Tráfego, a embreaguez ao volante é a causa de 30% dos acidentes de trânsito. Essa liquidez influi sobre os efeitos da Lei Seca, sendo um forte empecilho para sua total funcionabilidade.
Outrossim, questões socioculturais presentes na sociedade agravam o impasse. Nessa óptica, confor-me o sociólogo Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, é possível per-ceber que a questão da dificuldade de plena aceitação da Lei Seca é fortemente influenciada pelo pen-samento coletivo. Observa-se isso nos jovens que crescem inseridos em um contexto social no qual a ingestão de bebidas alcóolicas é vista como algo positivo, sendo muitas vezes associada à diversão e status social, adquirindo tendência de também adotarem esse comportamento. Essa visão pode ser no-tada nas letras de funk, ritmo musical escutado pelos jovens, que incentivam e banalizam o consumo dessas bebidas. Sendo assim, a resolução se torna ainda mais complexa.
Portanto, fica evidente a urgência de intervenção para plena aceitação da Lei Seca implementada no Brasil. Para tanto, o Ministério da Educação, por meio de verbas públicas, deve desenvolver “workshops” nos Centros Educacionais Unificados (CEU) sobre a importância de empatia para enfrentamento dos problemas sociais. Tais “workshops” devem orientar os cidadãos, com enfoque nos jovens, por meio de palestras e atividades práticas, como dramatizações, a fim de tratar o tema de forma lúdica, para que a empatia seja uma prática presente em situações como respeito e melhor adoção da Lei Seca, superan-do, assim, o comportamento vicioso criticado por Gil Vicente.