ENEM 2014 - 1ª aplicação - Publicidade infantil em questão no Brasil.

Enviada em 04/09/2019

Diversos países desenvolvidos impõem, mesmo que parcialmente, restrições a divulgação da propaganda infantil. Entretanto, o Brasil, ainda possui uma insipiente legislação, a qual influencia diretamente no processo de formação sociocultural das crianças. Todavia, no mundo globalizado, urge que as empresas utilizem estratégias para que consigam se manter frente a concorrência do mercado.

A princípio, é possível perceber que diversas marcas utilizam uma linguagem conativa em suas propagandas para influenciar o consumo das crianças. Prova disso, é a marca Nescau que, na década noventa vinculava o consumo da bebida ao ganho de energia para atividades cotidianas, mostrando crianças saudáveis praticando diversas brincadeiras. Dessa forma, é flagrante que o Estado deve intervir para que a sociedade futura não seja formada por adultos sem a capacidade crítica para avaliar a sua real necessidade frente ao consumo daquele produto.

Outrossim, no cenário mundial do capitalismo, as grandes empresas precisam tomar estratégias que possibilitem o seu sucesso financeiro no mercado competitivo. No entanto, como leciona o sociólogo Zygmunt Bauman, em sua obra “Modernidade Líquida”, a sociedade pós-moderna é individualista e visa unicamente o lucro. Nesse contexto, as grandes companhias devem objetivar, não somente o capital, como também a análise a longo prazo dos impactos gerados através das suas propagandas, tornando possível a construção de uma nação economicamente e socialmente equilibrada.

Isto posto, é incontroversa a necessidade de intervenção do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar), por meio de resoluções e normas que possibilitem a veiculação de propagandas infantis de forma consciente. Ademais, as escolas devem, por meio de campanhas socioeducativas, ensinar as crianças como a busca aguerrida pelo lucro está imbricado em nossa sociedade. Dessa forma será possível desconstruir o individualismo narrado por Bauman.