ENEM 2014 - 1ª aplicação - Publicidade infantil em questão no Brasil.
Enviada em 15/09/2019
O controle da publicidade infantil é realizado pelo Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar). Entretanto, o citado órgão do Executivo tem sido bastante flexível, o que chancela a persistência de práticas abusivas do mercado publicitário. Além disso, a negligência das famílias intensifica a exposição das crianças a essa problemática social.
A princípio, para angariar o maior quantitativo de vendas, algumas agências de publicidade não se preocupam com as consequências das suas propagandas no público infantil. Desse modo, o discurso apelativo publicitário torna-se abusivo, como é o caso da propaganda do chocolate batom da marca garoto, na década de 1990, que impulsionava o consumo com verbos no imperativo. Sendo assim, é flagrante o conflito moral que envolve a publicidade infantil e as suas consequências negativas na formação das crianças.
Outrossim, a ausência de atenção das famílias, para filtrar o conteúdo publicitário, é também um indicador de má formação das crianças. Conforme ensinamentos de Zygmunt Bauman, na obra “Modernidade Líquida”, na pós-modernidade os indivíduos mantêm relações líquidas, o que influencia na conduta dos pais em relação aos seus filhos. Nessa situação, o seio familiar tem deixado de regular o conteúdo assistido pelos menores em televisões e internet, e, dessa forma, há uma exposição muito maior a um conteúdo não condizente com a idade da criança.
Assim, o Conar deve regular com rigor o mercado publicitário, por meio de normas regulamentadoras com força cogente, para proibir as propagadas abusivas dirigidas ao público infantil. Ademais, mediante campanhas socioeducativas, as escolas devem conscientizar as famílias acerca da necessidade de filtrar as publicidades expostas aos seus filhos. Então, será possível superar as mazelas dessa sociedade líquida, descrita por Bauman, dando a devida atenção à formação das crianças, que são responsáveis pela geração futura.