ENEM 2014 - 1ª aplicação - Publicidade infantil em questão no Brasil.
Enviada em 01/10/2019
Na obra cinematográfica “Um herói de brinquedo”, Arnold Schwarzenegger interpreta o pai de um garoto de sete anos aficionado por um herói; produzido por comerciais de televisão. A trama se dá na saga do pai em adquirir tal herói de brinquedo; objeto de desejo de seu filho. Essa realidade não é diferente fora da ficção. A intensificação dos meios e veículos de comunicação tem agravado a questão da publicidade infantil no Brasil; tendo na dificuldade de pais e responsáveis a seleção prévia de programas televisivos e comerciais aos quais seus filhos terão acesso, bem como a ineficiência governamental em estabelecer medidas que monitorem a propaganda abusiva dirigida à criança visando o consumo. Ambos são desafios importantes de serem analisados.
Em primeiro lugar, compreender que a intensificação da comunicação em suas vertentes midiáticas, tendo na internet uma de suas principais vitrines de consumo é fator fundamental. A partir dessa identificação, o sociólogo Pierre Bourdieu salienta os meios de comunicação como base do desenvolvimento direto da democracia, mas que quando usufruído no favorecimento e veiculação do ponto de vista de uns em detrimento de outros, ou ainda na obtenção de ganho capital por meio da persuasão desmedida ao consumo; este determinado meio de comunicação torna-se mecanismo de opressão simbólica. Desenhos animados demonstram produtos visando a persuasão infantil.
Outrossim, uma das grandes deficiências está no Estado no que tange certo descontrole em monitorar a publicidade e propaganda de cunho abusivo não estabelecendo limites que equilibrem a desmedida comercialização pela imposição persuasiva no público infantil. A perceptível desregulamentação efetiva no setor fragiliza a criança, tornando-a cada vez mais dependente do consumo e submergida à alienação. Neste ínterim, Karl Marx constitui o conceito de fetichismo do produto onde o objetivo de desejo - neste caso da criança - torna-se cada vez mais importante, significativo e mercadologicamente personificado; como um boneco que transforma-se em um amigo.
Portanto, é mister que o Estado tome providências que visem inibir a intensificação da publicidade infantil em questão no Brasil. Assim, é imprescindível que o Ministério da Educação em parceria com o Ministério da Ciência e Tecnologia criem, respectivamente, programas, cursos e fóruns para a educação continuada de pais e familiares, que discutam e informem a importância do monitoramento de programas assistidos pelas crianças, evitando sua exposição desenfreada à propaganda que vise o consumo, além da criação de algoritmos governamentais que detectem e descontinuem propagandas de intenso viés mercadológico ao público infantil. Ambos feitos por meio de unidades escolares dos Estados e departamento informacional no Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária.