ENEM 2014 - 1ª aplicação - Publicidade infantil em questão no Brasil.
Enviada em 31/10/2019
O controle da publicidade infantil é realizado pelo Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar). Entretanto, a flexibilidade das normas emitidas por esse órgão abre espaço para um mercado publicitário que dissemina propagandas abusivas. Além disso, as famílias não têm dado a devida atenção às crianças e não regulam de maneira consistente o conteúdo absorvido nas diversas mídias.
A princípio, a folha UOL publicou, em 2014, matéria informando que, em muitos países, há proibição parcial de propagandas para o público infantil, como é o caso da Itália, Bélgica e Dinamarca. Contudo, havia também a informação de que, no Brasil, não há proibição, mas sim autorregulamentação. Nesse contexto, devido à ausência de normas mais rígidas, algumas agências de publicidade não se preocupam com as consequências das suas propagandas no público infantil. Um exemplo disso, foi a propaganda do chocolate batom da marca garoto, na década de 1990, que impulsionava o consumo com verbos no imperativo. Sendo assim, é flagrante o conflito moral que envolve a publicidade infantil e as suas consequências negativas na formação das crianças.
Outrossim, conforme ensinamentos de Zygmunt Bauman, em sua obra “Modernidade Líquida”, a sociedade pós-moderna é individualista. Nesse cenário, as famílias não estão preocupadas em selecionar o conteúdo televisivo e as propagandas assistidas pelos filhos, mas sim com a velocidade em que vivem na dinâmica contemporânea. Contudo, o filósofo Immanuel Kant afirma que “O homem é aquilo que a educação faz dele”. Desse modo, a negligência na educação doméstica cria um problema estrutural na comunidade, consolidando uma geração de indivíduos sem princípios, e, no caso em referência, marcada pela cultura negativa do consumismo.
Assim, compete ao Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária regular com maior rigor o mercado, por meio de normas regulamentadoras com força cogente, a fim de proibir as propagadas abusivas dirigidas ao público infantil. Ademais, cabe às escolas conscientizar as famílias, mediante campanhas socioeducativas, sobre a necessidade de filtrar as publicidades e dar maior atenção aos seus filhos. Então, será possível superar as mazelas dessa sociedade líquida, descrita por Bauman.