ENEM 2014 - 1ª aplicação - Publicidade infantil em questão no Brasil.

Enviada em 05/04/2020

Após o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, o mundo sofreu com a bipolarização e a divisão, tanto física, com a construção do Muro de Berlim, quanto ideológica, entre o bloco capitalista e o comunista, liderados, respectivamente, pelos Estados Unidos e pela União Soviética. Teve início, então, uma intensa difusão de propaganda política de ambos os lados, que visavam a uma maior adesão a seus sistemas socioeconômicos, saindo vitoriosa, nesse conflito, a estrutura capitalista. Nessa, prevê-se o acúmulo de capital, a livre concorrência entre as empresas e a presença de um público-alvo, responsável por comprar os produtos dessas. Não obstante isso, deve-se discutir a publicidade infantil, tendo em vista que suas implicações são extremamente prejudiciais à criança.

Antes de tudo, é necessário ressaltar que, segundo o Conselho Federal de Psicologia (CFP), crianças de até 12 anos não sabem diferenciar o real da fantasia, sendo extremamente suscetíveis à propaganda abusiva. No livro “Admirável Mundo Novo” de Aldous Huxley, por exemplo, elas são condicionadas, desde o nascimento, a comportamentos que favoreçam o consumismo descontrolado em detrimento de atividades desmonetizadas, como a prática de esportes ao ar livre e a leitura. Dessa forma, criou-se uma sociedade desprovida de senso crítico cujos habitantes descartam o que é velho e compram compulsoriamente, com o intuito de preencher o vazio de suas existências. De maneira análoga, nota-se que o desenvolvimento de hábitos, sejam eles benéficos ou não, se dá a partir da mais tenra idade, influindo, pois, nas demais etapas da vida dos pequenos.

Outrossim, a publicidade infantil acarreta, a longo prazo, não só problemas físicos, como também psicológicos, que interferem diretamente no bem-estar da criança. As redes de fast-food, por exemplo, vendem seus lanches junto a brindes, que, remetendo às personagens do universo infantil, induzem as crianças à compra e ao consequente consumo de alimentos de alto teor calórico os quais exercem papel significativo no aparecimento de doenças, como a obesidade e o sobrepeso. Já no que se refere ao âmbito psicológico, é comum que as crianças peçam o mesmo brinquedo que seus amigos têm aos pais, uma vez que, caso não o tenham, são vítimas de exclusão social e constrangimento.

É imprescindível, portanto, que o Ministério da Educação, em parceria com as famílias, fomente o senso crítico nas crianças, por meio da implementação, na grade curricular, de matérias relacionadas ao controle financeiro, cujos conteúdos seriam todos ministrados de maneira adequada à realidade infantil, com jogos interativos e narrativas lúdicas. Assim, haverá a emancipação intelectual das crianças que saberão distinguir o supérfluo do indispensável e deixarão a temida realidade descrita por Huxley somente na ficção.