ENEM 2014 - 1ª aplicação - Publicidade infantil em questão no Brasil.

Enviada em 20/05/2020

O filósofo Jean-Jacques Rousseau atribuiu inocência à fase da infância ao propor o “estado de natureza do homem”, em que este seria puro antes do contato com a sociedade. Assim, atualmente, no Brasil e no mundo, a indústria midiática tem utilizado da baixa visão crítica de crianças acerca das relações socioculturais e econômicas que as cercam para persuadi-las a desejarem brinquedos ou alimentos, por meio de comerciais e propagandas. Desse modo, o desejo desenfreado de consumo e o comportamento desequilibrado do público infantil a partir da publicidade são problemas que necessitam de resolução.

Antes de tudo, o anseio pelo consumo pode ser um dos problemas gerados a partir da publicidade destinada ao público infantil. Segundo o sociólogo Karl Marx, o acúmulo de riquezas molda padrões que interferem na integração de um indivíduo no meio em que ele se insere. Nesse caso, a posse de determinados produtos por infantes pode determinar sua aceitação em seu ciclo de convivência. Desse modo, atualmente, o meio publicitário brasileiro se aproveita da inocência de crianças para difundir produtos que, quando associados a figuras como super-heróis, por exemplo, podem despertar nos jovens o desejo desenfreado de consumo.

Ademais, comerciais voltados para crianças brasileiras, ao associarem felicidade e consumo, podem gerar um comportamento desequilibrado nesse público. Para o filósofo Schopenhauer, o homem é um ser com vontades insaciáveis, sempre surgindo novos desejos após a realização de algum outro. Logo, quando a ideia de felicidade é relacionada à posse de novidades da indústria, por meio de comerciais, é gerado um desequilíbrio no consumidor infantil. Assim, o infante é integrado a um ciclo incessante de consumo, em que deseja adquirir produtos em busca de satisfação, fator que se agravou no Brasil pelo fato do país não possuir leis de moderação à publicidade infantil até 2011, com a criação da Resolução 163 no Estatuto da Criança e do Adolescente.

Portanto, medidas são necessárias para a resolução da problemática. Segundo Rousseau, a educação integra o “Novo Contrato Social”, sendo parte da solução para os problemas gerados a partir da manipulação do “estado de natureza”. Logo, para que haja separação entre padrões de consumo e integração no meio social, cabe ao Ministério da Educação investir na discussão sobre as influências da publicidade no consumismo, por meio de palestras e oficinas abertas à comunidade escolar. Tal ação tem por efeito impedir, de maneira gradual, que as crianças brasileiras tenham sua baixa visão crítica como objeto de manipulação da indústria midiática.