ENEM 2014 - 1ª aplicação - Publicidade infantil em questão no Brasil.
Enviada em 30/06/2020
Getúlio Vargas, durante o Estado Novo, usou diversas imagens e propagandas entre ele e diversas crianças, a fim de criar sua imagem como uma figura caridosa e conseguir a adesão política de seu governo no Brasil. Sendo assim, historicamente, as crianças sempre estiveram inseridas no ambiente da publicidade, que pode trazer diversos impactos entre os pequenos, como a cultura ao consumo e adultização de seu comportamento. Esse problema está interpenetrado na prevalência dos interesses financeiros e na inação do Estado.
Constata-se, a princípio, que o predomínio das inclinações financeiras perpetua o uso infantil nas publicidades. Nesse sentido, com o desenvolvimento do capitalismo, as grandes empresas não enxergam somente jovens e adultos como potenciais consumidores, mas também o público infantil, o que leva ao uso dessa seara nas propagandas e comerciais. Sob essa lógica, essa nova dinâmica acaba por basilar um comportamento compulsivo sobre comprar nas crianças, o que cria, desde cedo, uma personalidade vista em adultos, por exemplo. Desse modo, acaba-se desenvolvendo uma sociedade em que o consumo, como afirma Byung Chul Han, apresenta-se como forma de aliviar as inquietudes da vida e alternativa para a felicidade imediata.
Outrossim, somado ao supracitado, a inércia do Estado potencializa ainda mais os impactos da publicidade infantil. Nesse contexto, Platão, filósofo da antiguidade, dissertara que a política deveria ser uma atividade elevada e nobre, marcada pela busca do bem comum do corpo social. Todavia, o posicionamento do governo frente à problemática da propaganda infantil desvirtua a ideia do pensador, já que o quantitativo de medidas que coíba esse fenômeno transfiguram-se ineficientes, seja pela aplicação de leis fiscalizadoras, ou a punição. Consequentemente, as crianças vão passar a se expor cada vez mais a publicidades, aderindo a política do capitalismo e não tendo a capacidade e discernimento de compreendê-lo.
Nessa perspectiva, portanto, é mister que medias sejam tomadas para obliterar os impactos da publicidade infantil no Brasil. Para isso, cabe ao Ministério da Educação construir um perfil crítico, voltado para análises das questões sociais, como a propaganda, por intermédio da intensificação das aulas de Filosofia, o qual irá, mediante filmes e palestras, debater sobre a sociedade de consumo, a fim de que as crianças não sejam vítimas das novas tendências capitalistas. Ademais, o Estado, junto ao Poder Legislativo e Judiciário, deve intermediar as questões das regulamentações da propaganda infantil, por meio da criação de um pacote de leis denominado " Direitos Visuais Infantis", o qual irá fiscalizar abusos e punir os infratores, a fim criar um ambiente harmonioso e saudável para as crianças.