ENEM 2014 - 1ª aplicação - Publicidade infantil em questão no Brasil.

Enviada em 31/05/2020

Segundo o sociólogo Émile Durkheim, a sociedade funciona como um “corpo biológico”, o qual para ser igualitário e coeso depende das partes que o compõem. Sendo assim, no Brasil, observa-se uma falha nesse funcionamento, uma vez que a publicidade infantil traz efeitos negativos para a formação das crianças. Esse cenário adverso é fruto tanto da falta de regulamentação de leis que restrinjam propagandas voltadas para o público infantil, quanto da alimentação consumista de crianças por parte dos responsáveis, sendo que esse conjunto de ações prejudica no pleno funcionamento da sociedade. Precipuamente, é fulcral pontuar que a falta de regulamentação de uma lei de restrição de determinados tipos de propagandas deriva da baixa atuação governamental no âmbito da comunicação e acesso midiático, uma vez que empresas utilizam de diferentes artefatos como desenhos animados, com o intuito de persuadir crianças a consumirem determinados produtos. De acordo com o filósofo Thomas Hobbes, é dever do Estado garantir a integridade e bem-estar social dos indivíduos, fato que não ocorre no Brasil, na medida em que, segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) do ano de 2013, o Brasil assume uma postura inadmissível, visto que o fato de só realizar acordos com empresas aumenta suscetíveis mudanças em decorrência dos interesses do Estado e empresas, deixando de lado o bem-estar e integridade da população, uma vez que essas crianças estão expostas a possível alienação e manipulação midiática.

Ademais, é imperativo ressaltar que a alimentação do potencial consumista de crianças por parte dos responsáveis colabora para a perpetuação da problemática. A postura adotada pela maioria dos pais brasileiros, que em grande parte não possuíram oportunidades na infância, sendo assim seguem o ideal de fazer diferente e dar aos filhos tudo aquilo que não puderam ter. De acordo com a BBC (British Broadcating Corporation) no Brasil 9 a cada 10 pais dão aos filhos tudo que desejam a fim de agradá-los e exercer maior controle sobre eles.

Diante dos argumentos supracitados, medidas exequíveis são necessárias para combater a problemática. Dessarte com o intuito de mitigar os efeitos e influência da publicidade sob o público infantil, necessita-se urgentemente que o MCTIC (Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação), por intermédio do conselho que exerce o controle das redes midiáticas, restrinja em horários específicos as propagandas que são direcionadas à televisão, sendo horários condizentes ao baixo índice de crianças como expectadoras, melhorando o controle e poder de decisão de compra aos pais em relação às práticas consumistas dos filhos. Desse modo atenua-se-á, em médio e longo prazo, os impactos nocivos da publicidade infantil, reduzindo efeitos catastróficos na formação infanto-juvenil.