ENEM 2014 - 1ª aplicação - Publicidade infantil em questão no Brasil.

Enviada em 01/08/2020

Para Noam Chomsky, filósofo e linguista norte-americano, a mídia utiliza-se de diversas estratégias manipulativas para induzir o público ao consumo. O pensamento de Chomsky pode ser associado à publicidade infantil, atualmente, no Brasil, no qual as propagandas direcionadas a esse público são notadamente abusivas e manipulativas, a fim de conquistar um potencial grupo consumidor. Nesse contexto, a perpetuação dessa realidade reflete um quadro desafiador, seja pela ineficiência estatal, seja pelo consumismo.

Mormente, é justo reconhecer as iniciativas do Poder Público que visam a atenuar essa problemática, como a proibição de propagandas abusivas direcionadas à demografia juvenil pelo CONAR(Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária). Contudo, apenas isso não é suficiente para atenuar essa problemática, haja vista que essa medida apenas proíbe propagandas que obviamente estão sendo apelativas, mas não se preocupa em combater, como diria o escritor Umberto Eco, as publicidades “furtivas”, as quais utilizam semiótica e simbologia para para persuadir o consumidor. Isso é particularmente perigoso para o público infantil, que ainda não possui habilidades críticas o suficiente para entender os mecanismos midiáticos. Destarte, faz-se necessário o fortalecimento das medidas do CONAR para fortalecer a luta à publicidade infantil abusiva.

Consequentemente, esse fenômeno nocivo pode influenciar negativamente as crianças, tornando-as em adultos capitalistas e individualistas. A esse respeito, o psicólogo russo Vigotsky afirma que o meio influencia o ser, e o ser influencia e modifica o meio. Dessa forma, pode-se afirmar que, ao serem expostos a publicidades que incentivam o consumo, o jovem, tangenciado pelo meio, é encorajado a entrar em um ciclo de compra, o que cria uma alienação; fenômeno que, de acordo com Karl Marx, consiste na manipulação das ações de um indivíduo por outrem, no caso da criança, a mídia. Infelizmente, o fenômeno da publicidade abusiva apenas contribui para a formação de adultos viciados em consumo.

Urge, portanto, uma solução definitiva para esse problema. Para isso, cabe ao CONAR(Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) intensificar a fiscalização de publicidade infantil abusiva, mediante a contratação de pessoas formadas em publicidade e com pós-graduação em semiótica e simbologias, as quais devem ter o trabalho de identificar propagandas que abusam desses recursos para induzir crianças e adolescentes à compra, além de multar as empresas que promoverem esse tipo de prática. Assim, sem propagandas abusivas sendo transmitidas na mídia, espera-se um ambiente publicitário mais limpo e saudável para o público infantil, sem incentivá-las ao consumismo.