ENEM 2014 - 1ª aplicação - Publicidade infantil em questão no Brasil.
Enviada em 08/08/2020
“O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles”. Essa afirmação da filósofa existencialista Simone de Beauvoir pode servir de metáfora à questão da publicidade infantil no Brasil, visto que, por mais escandalosa que seja a situação, poucos são os esforços para resolvê-la. Diante disso, indubitavelmente, tal conjuntura advém tanto do lucro obtido por meio dessa indústria e do consumo dessa.
É pertinente considerar, antes de tudo, que por meio de autorregulação, a indústria publicitária tende a priorizar o lucro em detrimento das crianças. Até seus quatro anos de idade, estas possuem uma conduta amoral, ou seja, não podem discernir quais as condutas morais adequadas da sociedade. Dessa forma, são vulneráveis à persuasão das propagandas que, utilizando-se de personagens, histórias infantis e até cores vibrantes, incitam-nas a consumir vertiginosamente.
Este consumir sem precedentes, no que lhe concerne, vigora com o passar dos anos até se tornar um valor para o indivíduo. Desse modo, constitui-se a cultura do “ser líquido”, termo cunhado por Zygmunt Bauman, que refere-se a tendência contemporânea de priorizar o “ter”, em oposição ao “ser”. Momentos e sentimentos tornam-se líquidos, assim como os produtos substituídos e atualizados a todo momento. A liquidez é um efeito colateral do consumo em massa que acentua a alienação.
É imprescindível, portanto, frear a propaganda perniciosa e educar as crianças com mais afinco. A primeira será alcançada por meio de fóruns de debate entre as comunidades e os anunciantes, de modo que se possa vetar anúncios capazes de influenciar as crianças. A segunda requer o envolvimento de toda a família, responsável por estabelecer limites e favorecer a reflexão.