ENEM 2014 - 1ª aplicação - Publicidade infantil em questão no Brasil.

Enviada em 13/08/2020

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade idealizada, formada por um corpo social isento de conflitos e problemas. Fora da ficção, vê-se que na realidade contemporânea brasileira ocorre o oposto do que o autor prega, uma vez que existem barreiras como o abusivo uso de anúncios infantis na mídia, impedindo a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é desafiador, seja em virtude do excesso de informações fornecido às crianças, seja pela ausência de leis que controlem  e estabeleçam regras para os anúncios publicitários infantis.

Em abordagem inicial, vê-se que a quantidade de propagandas destinada aos jovens é excessiva, visto que o período da infância é naturalmente marcado por desejos, o que é fomentado pelo excesso de anúncios infantis veiculados pela mídia. Segundo o pensamento do filósofo francês Jean Jacques Rousseau, o homem é produto do meio em que vive. Na esteira dessa ideia, nota-se a influência que os veículos de comunicação exercem sobre o público infantil, visto que o uso do vocabulário infantil, bonecos, temas infantis, faz com que  o desejo das crianças de possuírem determinado produto aumente, criando uma futura geração que não é ciente de suas necessidades e que age por impulso.

Além disso, a inexistência de leis regulamentadas no que tange a propagandas destinadas ao público infantojuvenil age como um impulsionador do problema, pois uma vez que não existem normas restritivas para os anúncios, ocorre a utilização dos meios persuasivos  de maneira abusiva por parte da mídia. “No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho.” Através deste trecho do poeta modernista brasileiro Carlos Drummond de Andrade, vê-se que a falta de regras no âmbito da publicidade infantil que estabeleçam normas restritivas as empresas de publicidade e a sua divulgação pelos veículos de comunicação da mídia, funciona como um empecilho para sua resolução.

Infere-se, portanto, que o excessivo número de anúncios infantis é uma grande pedra a ser removida do caminho para o desenvolvimento. A priori, compete ao governo, em parceria com o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar), a criação de normas restritivas acerca dos horários das propagandas infantis e utilização dos instrumentos de persuasão, através da aprovação de um decreto do Ministério Legislativo, com o intuito de estabelecer limites entre o campo da divulgação dos produtos e a tentativa de uma persuasão infantil excessiva, fazendo com que seja criada uma maior contenção das crianças em relação a necessidade de aquisição dos produtos, criando uma futura sociedade consciente. Com essas ações, espera-se que as empresas de publicidade passem a agir de maneira ética e responsável.