ENEM 2014 - 1ª aplicação - Publicidade infantil em questão no Brasil.

Enviada em 01/09/2020

“Eduquem as crianças, para que não seja necessário punir os adultos”. A icônica frase do filósofo grego Pitágoras manifesta a relevância da infância e evidencia o impacto dessa nas atitudes tomadas pelos indivíduos quando adultos. Dessa maneira, é imperativo que as crianças sejam privadas de qualquer agressão, objetificação e influências negativas. Nesse contexto, a publicidade infantil é uma transgressão à infância, já que abusa da falta de discernimento de pessoas imaturas e inocentes e causa consequências como o consumismo e a rivalidade infantil.

Em primeiro plano, cabe mencionar que segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) um indivíduo é considerado criança quando tem idade inferior a 12 anos completos. Associado a isso, pode-se citar o “pai da psicanálise” Freud, que constatou: a personalidade é desenvolvida até os 10 anos. Nesse âmbito, a propaganda direcionada a este público é um desrespeito à ingenuidade própria desta fase e garante o cenário perfeito à formação do consumismo, porque a falta de pensamento crítico associada ao período de consolidação do caráter, torna o poder da publicidade mais efetivo, cristalizando uma mentalidade de consumo na criança que — normalmente, devido à falta de apoio estatal, social e familiar — mantém-se até a vida adulta.

Em segundo plano, vale pontuar a dinâmica das relações entre pessoas de pouca idade. Nesse sentido, convém mencionar a propaganda brasileira veiculada nas televisões na década de 90, onde uma garoto repetia à frase “Eu tenho e você não tem” incansavelmente, enquanto mostrava uma tesoura com detalhes de um desenho animado famoso. Dessa maneira, a rivalidade infantil é incentivada, uma vez que as crianças são motivadas a invejar os objetos alheios, e devido ao intenso contato no ambiente escolar e a impulsividade característica dessa fase, este antagonismo proveniente da cobiça pode gerar discussões e até brigas.

Portanto, fica clara a necessidade de intervenção civil e estatal para amenizar a publicidade infantil, que deprecia a infância das crianças brasileiras. Portanto, é imperativo que o Governo Federal, através do Ministério da Educação, torne obrigatória a disciplina “Consumo e Sustentabilidade” nas escolas, onde será ensinado aos alunos a comprar somente o necessário, evitar o consumo de itens supérfluos e mostrar o impacto do consumismo na vida e no planeta, ressaltando os efeitos ambientais. Aliado a isto, deve haver palestras escolares com os pais dos alunos a fim de educá-los sobre a influência das propagandas em seus filhos, como atenuar e remediar o impacto dessas. Assim, haverá uma redução nas problemáticas citadas e a sociedade tornar-se-á mais sadia, crítica e harmônica.