ENEM 2014 - 1ª aplicação - Publicidade infantil em questão no Brasil.

Enviada em 01/09/2020

Após Revolução Industrial, os detentores do capital visavam ampliar o público consumidor em busca de aumentar seus lucros. Desse modo, ocorreu a inserção das crianças no mercado consumidor e, por consequência, o incentivo ao consumismo desde a infância para gerar benefícios à empresas. Portanto, é válido afirmar que a publicidade infantil é prejudicial para a sociedade pois contribui para o individualismo e a erotização precoce.

Cabe mencionar, em primeiro plano, que a publicidade infantil gera o consumismo prematuro entre as crianças, o que, consequentemente, estabelece barreiras sociais entre elas. Desse modo, no livro “Ensaio acerca do Entendimento Humano”, o sociólogo John Locke defende que todas as pessoas são como folhas de papel em branco, cujo vão preenchendo-se conforme suas experiências. Ou seja, todos nascem iguais, porém a publicidade infantil implementa uma barreira social entre as crianças, por exemplo, as que consomem determinado produto e as que não possuem acesso às mesmas mercadorias. Portanto, tal distanciamento social gera o consumo exacerbado e o egoísmo entre os consumidores infantis.

Vale ressaltar, em segunda análise, que a publicidade infantil é nociva, pois diversas vezes as crianças, seres ainda em formação, são tratadas como adultas por empresas e meios de comunicação. Dessa maneira, determinadas propagandas de vestuários e maquiagens induzem o público infantil a consumir seus produtos por meio de desenhos animados ou ídolos em ascensão, tal como a campanha “Hello Kitty Fashion Time”, que promovia a aceitação social por meio da obtenção de acessórios de marca. Como consequência, essas crianças farão parte da sociedade líquida, citada pelo filósofo Zygmund Bauman, que retrata as relações sociais como algo fluído e líquido que pode ser comprada e descartada.

Em suma, é necessário que medidas sejam tomadas para diminuir a exibição de publicidades infantis. Portanto, o Estado deve, por meio de verbas governamentais, promover campanhas escolares a fim de conscientizar as crianças sobre os malefícios dessas propagandas. Desse modo, os pais também devem ser orientados pela gestão escolar, no intuito de aprenderem a identificar e denunciar anúncios abusivos dedicados ao público infantil.