ENEM 2014 - 1ª aplicação - Publicidade infantil em questão no Brasil.
Enviada em 23/09/2020
Jean-Jacques Rousseau, pensador suíço, acredita que os indivíduos devem ser analisados de acordo com o contexto de suas situações sociais, já que o meio intervém na construção pessoal. Nessa lógica, torna-se pontual compreender a questão da publicidade infantil por incorrer em prejuízos à qualidade de vida das crianças brasileiras. Esse quadro persiste intrinsicamente ligado à realidade do país, seja pelo consumo desenfreado, seja pelos danos advindos do estímulo às compras no período da infância. Nesse sentido, é necessário analisar o cenário, que oriundo de aspectos econômicos, necessita de intervenção para atenuá-lo.
Em uma análise inicial, nota-se que a exacerbação do consumo é um estímulo para que a publicidade e o marketing atinjam até as menores faixas etárias. Esse quadro, reforçado desde o final da Guerra Fria e a consequente ascensão do capitalismo, decorre, principalmente, da influência estadunidense no Brasil por meio do “American way of life”- um estilo de vida baseado no consumo. Assim, o Brasil, como os Estados Unidos, reproduz até mesmo o modelo de publicidade infantil, a qual é sem legislação, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). A falta de legislação nesse quesito dificulta, portanto, o controle da exposição apelativa das propagandas infantis e seus prejuízos às crianças. Outrossim, é válido acrescentar que a persuasão precoce ao consumo incorre em danos físicos e morais à criança. Além de afetarem a saúde, por meio de estímulos a má alimentação, por exemplo, as propagandas induzem a formação de um consumidor inconsciente. Essas, com a ajuda de personagens, desenhos, cores e músicas direcionadas, promovem ao público infantil a falsa sensação de necessidade do produto divulgado. Esse cenário reforça o conceito de Sociedade Líquida, do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, a qual se refere a uma sociedade de estreitas relações sociais, cuja essência é a posse em detrimento do ser. Dessa forma, a necessidade de compra é fomentada pelas propagandas direcionadas às crianças, além do estímulo ao consumo inconsciente.
Nota-se, portanto, a necessidade de intervenções governamentais para a atenuação do problema. No que tange ao Governo Federal e Secretaria de cultura, a criação de legislações específicas para a publicidade direcionada ao público infantil, objetivando o controle dos estímulos às crianças e a minimização do consumismo precoce. Além disso, cabe às escolas, enquanto formadoras de opiniões, a inclusão da temática como tema transversal no currículo das séries iniciais, assim como trabalhá-la por meio de projetos culturais, incluindo arte, música e teatro. Isso com a finalidade de estimular reflexões sobre as reais necessidades de consumo, o que é intrínseco a autenticidade humana. A somatória dessas ações seria, portanto, viável para atenuar a questão da publicidade infantil no país.