ENEM 2014 - 1ª aplicação - Publicidade infantil em questão no Brasil.
Enviada em 19/10/2020
A música “Admirável chip novo” da cantora Pitty, em seu trecho “pense, fale, compre, seja”, faz uma crítica à sociedade capitalista que se estabelece com o fim da Guerra Fria no século XX. Dentre os efeitos dessa nova ordem, têm-se a infeliz cultura do consumismo, que atinge toda sociedade, em especial o público infantil, uma vez que grandes empresas exploram a pouca criticidade dessa parcela da população com propagandas indiscriminadas. Esse infortúnio gera problemas sociais, além de prejuízos ambientais, e persiste intrínseco a realidade brasileira devido tanto aos interesses organizacionais, quanto à passividade do Estado.
De início, é preciso reconhecer que cada vez mais cedo o comportamento dos cidadãos é moldado pelos interesses econômicos das grandes empresas. Essa infeliz realidade pode ser vista nas propagandas que pretendem persuadir crianças usando elementos próprios do seu universo, como os desenhos animados. Tal cenário contribui para uma sociedade com frágeis relações sociais, baseada no ter em detrimento do ser, em consonância com à teoria “sociedade líquida” do sociólogo Zygmunt Bauman. Além disso, por consequência, a cultura consumista pressiona os recursos naturais, produz mais lixo, degrada o meio ambiente e, dessa forma, ameaça o futuro das próximas gerações.
Em seguida, vale ressaltar que a inércia do governo nessa questão permite a predominância do interesse financista do mercado e das indústrias. Conforme o pensador Thomas Hobbes, é dever do Estado zelar pelo bem estar da população, mas isso não ocorre no Brasil, como pode ser observado na ausência de normas legais para frear o marketing persuasivo voltado para crianças, tendo em vista que há uma tendência individualista por parte das empresas que visão o lucro. Desse modo, caberia ao poder público, equilibrar os interesses do capital com o que é melhor para população. Isso pode ser visto, segundo a revista Folha de São Paulo, em países como o Canadá, com leis bem definidas, não permite a vinculação de tais propagandas, sendo um exemplo positivo para o Brasil.
Portanto, considerando os aspectos mencionados, fica evidente a necessidade de medidas para mudar a realidade da publicidade infantil no país. Para tanto, o Ministério da Justiça pode, em parceria com o Conselho Nacional de Direitos das Crianças e do Adolescente, propor ao Congresso Nacional um projeto de Lei, que visa estabelecer regras próprias para o ramo publicitário, a fim de frear a influência das propagandas no desenvolvimento das crianças. Além disso, o Governo pode, junto ao Ministério Público, aumentar a fiscalização para que as empresas se adequem às novas regras e com escolas, por meio de palestras, deve conscientizar o público infantil sobre o consumismo e os seus efeitos negativos. Só assim, será possível proteger as crianças dos apelos capitalistas.