ENEM 2014 - 1ª aplicação - Publicidade infantil em questão no Brasil.

Enviada em 28/10/2020

No universo fictício do Sítio do Pica-Pau Amarelo, Emília, até então uma boneca de pano, sonha em ser humana. Para isso, Emília passa pelo processo de gentrificação com as pílulas falantes, fazendo com que ela se torne uma humana por influência exterior e pelo seu convívio com outras crianças, como Pedrinho e narizinho, também personagens do livro de Monteiro Lobato. Ao sair da ficção, é fato que as influências vindas de fora e ideais prontos para consumo influenciam, principalmente às crianças, com publicidades voltadas ao cenário infantil, questão em alta no Brasil. Assim, é necessário analisar a questão histórica ligada à relação da criança com o capitalismo e como esses entraves perduram e se apresentam no cenário atual.

Em primeiro plano, urge estudar o passado para compreensão do presente. Como retratado por Boaventura de Sousa Santos, o que regressa nunca deixou de estar, então, a partir desse viés, a exploração da mente infantil pelo mercado não é de hoje, isso vem desde o princípio do sistema capitalista. Uma certificação disso foi a Primeira Revolução Industrial, berço da consolidação do mundo burguês e capitalista na Europa, em que crianças trabalhavam nas fábricas em condições ainda mais deploráveis que os adultos, correndo risco de acidentes graves. Com o passar dos tempos, o trabalho infantil passou a ser crime, mas a criança foi de mão de obra à mercado consumidor, o modo mudou as a exploração segue.

Século XXI: Globalização, tecnologia, aldeia global. Com isso, o século mais promissor da história, porém, hábitos antigos para benefício dos privilégios de uns continuam, assim como a exploração da criança e sua mentalidade, agora pela publicidade. No Brasil, a publicidade é regulamentada em alguns pontos, porém em outros e mais importantes não. Assim, com as propagandas de, por exemplo, brinquedos e acessórios, o público infantil acaba sofrendo grande influência, principlamente pelo fato do seu senso crítico e social não ser desenvolvido. Isso faz com que o encanto do “ser criança” e as brincadeiras virem apenas mercadorias para o sistema atual.

Para que tais entraves sejam resolvidos,é necessário que o Governo Federal,através do seu Poder Legislativo, em parceria com o Ministério dos Direitos Humanos e suas Secretarias em prol da criança, crie projetos de leis eficazes para barrar publicidades que passem de um anúncio publicitário para uma dominação da mentalidade infantil. Isso, visando a desigualdade no cenário brasileiro, e evitando que haja a frustração das gerações mais novas pelo capitalismo exacerbado, principalmente em publicidades de fácil acesso, como as de canais de TV aberta.Para que, assim, não haja mais tanta exploração infantil, sem a visão da criança como mais uma peça no consumismo da gentrificação.