ENEM 2014 - 1ª aplicação - Publicidade infantil em questão no Brasil.

Enviada em 01/11/2020

A canção ’’ Admirável chip novo", da cantora Pitty, em seu trecho " pense, fale, compre, beba", faz uma crítica à sociedade capitalista que se estabelece com o fim da Guerra Fria no século XX. Dentre os efeitos dessa nova ordem, destaca-se a cultura do consumismo, que atinge até mesmo o público infantil, uma vez que grandes empresas exploram a pouca criticidade dessa parcela da população com publicidades indiscriminadas. Esse infortúnio persiste intrínseco à realidade brasileira e, não raro, está ligando tanto aos interesses organizacionais, quanto a passividade do Estado.

De fato, cada vez mais cedo o comportamento do tecido social é moldado pelas pressões econômicas das grandes empresas. Esse quadro tem como base o interesse dos empresários em potencializar os seus ganhos financeiros sem levar em consideração as consequências disso para sociedade. Tal atitude é evidenciada nas propagandas que exploram a pouca maturidade das crianças utilizando desenhos animados e brinquedos, uma vez que essas ainda não sabem discernir o que realmente são necessário para elas, especialmente quanto aos bens materiais. À medida que isso ocorre, esse público é ensinado a consumir precocemente e, como evidenciado pela filósofa Hannah Arendt, a estimulação contínua pode naturalizar tal comportamento durante a vida adulta.

Em seguida, vale ressaltar que a inércia do governo diante desse problema favorece os interesses financistas do mercado e das indústrias. De acordo com o pensador Thomas Hobbes, é dever do estado zelar pelo bem estar da população, mas é evidente que isso não ocorre no Brasil, visto que, no âmbito publicitário, não há mecanismos legais, sejam fiscalizatórios, sejam punitivos, para coibir as empresas que direcionam seus conteúdos persuasivos para crianças e enxergam nelas potenciais consumidores. Segundo a revista Folha de São Paulo, hoje o Brasil pratica apenas uma  insuficiente autorregularão das propagandas vinculadas na mídia. Desse modo, conforme Hobbes, cabe ao poder público equilibrar os interesses do capital com o que é melhor para a população.

Portanto, fica explícito a necessidade de medidas para impedir o uso indevido da publicidade infantil por empresas que visam somente o lucro. Para tanto, o Governo pode deliberar a criação de um código de ética no âmbito publicitário, por meio de projeto de lei, junto ao Congresso Nacional, com o intuito de fomentar uma cultura de responsabilidade social dentro das organizações privadas, a fim de coibir às práticas que induzem as crianças ao mercado consumidor precocemente.  Além disso, as empresas que transgredirem as novas regras devem ser punidas pelo Estado com multas e o valor arrecadado pode ser utilizado para financiar peças publicitárias que alertem os pais sobre tal problema. Só assim, será possível proteger as crianças dos apelos de um capitalismo insustentável.