ENEM 2014 - 1ª aplicação - Publicidade infantil em questão no Brasil.

Enviada em 12/11/2020

Brás Cubas, o defunto-autor de Machado de Assis, diz em suas “Memórias Póstumas” que não teve filhos e não transmitiu a nenhuma criatura o legado de nossa miséria. Talvez hoje ele percebesse acertada sua decisão devido ao intensivo estímulo ao consumo a partir da publicidade infantil. Nesse contexto, entende-se que o crescimento dessa problemática se dá pela união entre programa e propaganda e pela influência dos canais infantis nas redes sociais.

É válido retratar, em primeira análise, a fusão entre os programas infantis e as propagandas. De fato, esse fenômeno prejudica a fiscalização dos pais quanto ao conteúdo que seus filhos assistem, visto que as publicidades surgem em meio à programas infantis comuns. Dessa forma, a manipulação realizada pela mídia — descrita pela Escola de Frankfurt —, por meio de propagandas irregulares para crianças, promove a não aceitação das reais condições de vida desses vulneráveis, o que gera a frustração. Em vista disso, torna-se extremamente necessária uma regulamentação mais efetiva sobre as programações infantis.

Cabe considerar, em segunda análise, de que maneira os canais de programação infantil nas redes sociais colaboram com a problemática. Segundo o filósofo Michel Foucault, todo discurso é uma forma de impor a verdade aos que o ouvem. Sob esse viés, o discurso explorado nas redes sociais — com destaque para a plataforma de vídeos “youtube” — busca influenciar o consumismo infantil exacerbado. Nesse âmbito, tem-se como exemplo os vídeos de crianças abrindo seus produtos, denominados “unboxing”, os quais estimulam o desejo pelo consumo e a busca pelo prazer de se abrir um produto.

Portanto, pode-se concluir que as crianças — como alvos fáceis de manipulação — não podem continuar expostas a esse tipo de conteúdo, fazendo-se necessária uma intervenção nesse contexto. Logo, o Conselho Nacional de Auto-regulamentação (CONAR) deve promover uma maior fiscalização de vídeos nas redes sociais — como o youtube — e de propagandas infantis televisionadas, por meio da criação de normas que impeçam a proliferação de vídeos que incitem o consumo infantil — como os conteúdos de testes de produtos e de estímulo à compra desses. Espera-se que, a partir dessa medida, as crianças brasileiras tenham a segurança de um desenvolvimento saudável e, assim, possa ser criado um legado do qual Brás Cubas pudesse se orgulhar.