ENEM 2014 - 1ª aplicação - Publicidade infantil em questão no Brasil.

Enviada em 11/12/2020

Com o fim da Guerra Fria e a consolidação do capitalismo, o consumismo sofreu um aumento desenfreado em todo o mundo e passou a abranger, além do universo adulto, o infantil. No Brasil, essa realidade surgiu de forma rápida e intensa e permitiu que as propagandas passassem a persuadir o consumidor em todos os meios de comunicação, como na internet, na televisão e nos outdoors, para que ele adquirisse diversos produtos e serviços. Todavia, a publicidade, quando voltada para crianças, passou a ser considerada abusiva ao utilizar recursos como o uso de trilhas sonoras, personagens de desenhos animados e brindes para despertar nelas a vontade de obtenção de certas mercadorias. Tal problemática persiste por raízes sociais e jurídicas.

Em primeiro lugar, é importante destacar que o público infantil compreende as propagandas apenas como forma de divulgar as novidades e não percebe seus efeitos negativos. Nesse contexto, Émile Durkheim dizia que o indivíduo só poderia agir quando entendesse o contexto em que estava inserido. Dessa forma, se a criança exerga os anúncios como algo positivo, ela será adepta a eles. Assim, seu desejo de consumir os produtos anunciados permanece em crescimento, enquanto ela não percebe, por exemplo, que a compra em excesso causa problemas de ordem ambiental, como o aumento da poluição do ar pelas indústrias de produção, e econômica, tal qual o gasto desnecessário de dinheiro.

Além disso, outro fator a ser considerado é que, apesar de esse tipo de comercial ser visto como abusivo por órgãos como o Conanda (Conselho Nacional de Direitos da Criança e do Adolescente), não há muita restrição para ele no país. Segundo dados da Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária), não existem leis nacionais acerca do assunto, somente normas criadas pelo setor publicitário e acordos com o governo. Dessa maneira, torna-se mais complicado o fim dessa situação, pois a legalidade não impede que as crianças sejam incentivadas a adquirir cada vez mais brinquedos, roupas e acessórios, ainda que eles não sejam realmente precisos.

Observa-se, portanto, que as razões de sociais e jurídicas impedem o combate à publicidade infantil no Brasil. Destarte, medidas são necessárias. É papel da família ensinar às crianças, por meio de educação financeira, o consumo racional, para que elas não sejam convencidas pelas propagandas. Nesse ensinamento, é essencial a inclusão de conversas e práticas sobre o ato de comprar somente o que for necessário, para que isso passe a ser um hábito. Além disso, o Estado deve criar e aplicar leis mais rígidas em relação aos comerciais, mediante a união com o Orgão de Defesa do Consumidor, a fim de restringir os anúncios infantis. Nesse caso, é preciso que seja proibido o uso de músicas e personagens. Com essas ações, será possível reverter os efeitos dessa realidade no país.