ENEM 2014 - 1ª aplicação - Publicidade infantil em questão no Brasil.
Enviada em 11/01/2021
O filósofo francês Sartre defende que cabe ao ser humano escolher seu modo de agir, pois este seria livre e responsável. No entanto, percebe-se a irresponsabilidade da sociedade brasileira no que concerne à questão da publicidade infantil. Dessa forma observa-se os prejuízos causados as crianças, seja em virtude da distorção da realidade, seja pelos danos físicos e psicológicos sofridos.
Mormente, vale ressaltar que apesar da grande discrepância de renda nas famílias brasileiras, cerca de 90% dos domicílios possuem televisão segundo pesquisa do IBGE. Nesse sentido, notamos a distorção da realidade, uma vez que a mesma publicidade é transmitida em um lar cujo a família possui um elevado poder aquisitivo e em outro que a família não possui. A criança com pouco poder aquisitivo se frustra, pois embora ela seja o público alvo, aquele produto não condiz com sua realidade.
Outro ponto relevante, nessa temática, são os danos sofridos pelas crianças. Fisicamente, as crianças são afetadas devido as propagandas de fast food que usam como elemento persuasivo a vinculação de brinquedos com a venda da comida, isso se comprova quando observamos os índices de obesidade infantil. De acordo com o pensador francês, Pierre Bourdieu: “o que foi criado como instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão”. As palavras do autor nos permite concluir que no âmbito psicológico, as crianças são prejudicadas devido a insegurança gerada por não poderem comprar o que é oferecido e observarem outras crianças que podem, se sentindo assim, oprimidas.
Por tudo isso, faz-se necessário uma intervenção pontual no problema. Assim, o Governo Federal, com o apoio de especialistas em cognição infantil, devem desenvolver ações que revertam os danos causados na realidade das crianças devido as publicidades. Tais ações devem ocorrer nas redes sociais, por meio da produção de vídeos que alertem sobre as reais condições da questão. É possível, também, criar uma “hashtag” para identificar a campanha e ganhar mais visibilidade, a fim de conscientizar a população sobre as consequências do tratamento que determinados canais de comunicação dão ao assunto. Talvez, assim, a sociedade descrita por Sartre se torne mais responsável.