ENEM 2014 - 1ª aplicação - Publicidade infantil em questão no Brasil.
Enviada em 05/03/2021
Em 1988, a atual Constituição Federal foi aprovada e, com ela, o dever da sociedade de se responsabilizar coletivamente pelo desenvolvimento de suas crianças. No entanto, ao notar as dimensões às quais chegou a publicidade infantil no século XXI, pode-se afirmar que o objetivo não foi cumprido. Nesse prisma, destacam-se dois aspectos: a vulnerabilidade emocional das crianças ao verem propagandas e as novas plataformas pelas quais a publicidade infantil se propaga.
A priori, crianças não têm o olhar crítico para fazer um julgamento sobre produtos que as atraem. Segundo o filósofo britânico John Locke, todos os seres humanos nascem como uma tábula rasa, ou seja, eles se tornam quem são a partir de suas experiências no mundo. Desse modo, ao comerciais serem direcionados a crianças, que ainda estão desenvolvendo caráter e poder de análise, as mesmas são condicionadas a acreditarem que o consumo é um meio de se adquirir felicidade, assim levando a danos psicológicos e afetuosos.
Outrossim, a publicidade infantil se encontra em constante expansão pelas novas plataformas midiáticas. O YouTube, por exemplo, é uma das redes da internet pela qual mais de 24 milhões de crianças e adolescentes brasileiros navegam, segundo o Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação. Consoante a isso, o site de vídeos é um divulgador de produtos direcionados ao público infantil que, pelo fato de grande parte dos criadores não serem oficialmente patrocinados, não são marcados como fora das normas do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitário (Conar), que regula a propaganda infantil.
Infere-se, portanto, a necessidade de uma maior austeridade da publicidade infantil para a defesa dos menores na sociedade brasileira. Logo, cabe à Sociedade Brasileira de Psicologia promover estudos sobre como o público mais jovem é afetado pela publicidade por meio de experimentos conduzidos no país, a fim de combatê-la de modo que seja focado no Brasil e, por conseguinte, mais eficaz. Ademais, o Conar deve formar uma comissão dedicada à batalha contra a publicidade infantil por meio de parcerias com Organizações Não-Governamentais especializadas na pauta para restringir a mesma. Apenas desse modo o Brasil pode progredir no dever de cuidar do desenvolvimento de suas crianças.