ENEM 2014 - 1ª aplicação - Publicidade infantil em questão no Brasil.

Enviada em 16/03/2021

A frase do escritor e pensador francês Vitor Hugo, “O progresso roda constantemente sobre duas engrenagens. Faz andar uma coisa esmagando sempre alguém”, exprime a ideia de que o sistema capitalista funciona baseando-se na exploração constante dos indivíduos. Tendo em vista este conceito, constata-se que a publicidade direcionada ao público infantil no Brasil, possui um caráter predatório, funcionando como meio para a criação de futuros consumistas e explorando a relativa facilidade de se persuadir uma criança, através do uso de elementos do universo infantil.

Primeiramente, deve-se ter conhecimento de que, no período da infância, o ser humano ainda não desenvolveu nitidamente seu senso crítico, e assim pode ser facilmente influenciado por personagens de desenhos animados e filmes. Os adolescentes também se tornam um alvo, pois estão numa fase em que o consumo pode ser sinônimo de autoafirmação. Tendo em vista este fato, a mídia cria diversos produtos fazendo uso desses mecanismos, como produtos de higiene com imagens de personagens e até mesmo utilizando atores mirins em comerciais.

Por conseguinte, muitos pais se queixam do comportamento consumista de seus filhos, apelando para organizações de defesa dos direitos da criança e do adolescente. Segundo a resolução emitida pelo Conselho Nacional de Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) em abril de 2014, essa publicidade infantil é considerada abusiva, gerando conflitos entre empresas, organizações publicitárias e defensores dos direitos deste público alvo. Conquanto, deve-se levar em consideração que tal resolução, configura um importante progresso do Brasil em relação ao marketing infantil. Alguns países no qual o índice de escolaridade é maior que o brasileiro, já possuem legislação que limita os conteúdos e horários de exibição dos comerciais destinados às crianças. Outros, como a Noruega , proíbem completamente qualquer tipo de publicidade infantil.

Portanto, indubitavelmente, a legislação brasileira precisa continuar rompendo as barreiras impostas pela indústria publicitária, com o intuito de garantir que o público supradito não seja alvo de interesses comerciais por conta da sua inocência e fácil persuasão. No contexto educacional, as escolas devem auxiliar na formação de cidadãos com capacidade crítica, por meio da discussão, nas salas de aula, dos conceitos de consumismo, publicidade, entre outros, sempre adequando-os a cada faixa etária.