ENEM 2014 - 1ª aplicação - Publicidade infantil em questão no Brasil.

Enviada em 16/03/2021

O advento do meio técnico-científico informacional representou um insigne avanço na propagação de publicidade em massa, a qual detém volumosa abrangência no cenário mundial. Apesar de esta ferramenta midiática visar à divulgação de produtos de ampla utilidade popular, tal fator destoa da realidade à medida que se verifica tanto a forte presença de um sistema de publicidade apelativa como ferramenta de exploração infantil, alicerçado à disseminação de discursos manipuladores, quanto à persistência na criação de uma sociedade consumista e desprovida de senso crítico.

De acordo com John Locke – filósofo inglês - o homem nasce como se fosse uma “folha em branco”, o qual as experiências transcorridas durante a infância influenciam diretamente seu comportamento ao longo da vida. Acerca disso, é pertinente ressaltar que este fator possui profundo impacto no contexto atual devido à inserção cada vez mais precoce das crianças ao consumismo imposto por uma economia capitalista globalizada, a qual preconiza a flexibilidade de produção e se adequa as mais diversas demandas. Deste modo, as crianças, público cuja capacidade cognitiva está em formação, são constantemente instigadas a adquirir produtos em face do caráter apelativo das propagandas, que em diversos casos se utilizam de personagens, bem como recursos lúdicos em prol de manipulá-las e exortar o consumismo.

Outrossim, vale destacar que o consumo em maior escala compromete demasiadamente o futuro sadio da sociedade brasileira. Conforme já explicitado pelo IBGE 2006 (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 80% das compras de uma casa é por influência direta dos filhos, principalmente no que tange ao entretenimento. Tal alarmante dado expõe a imensurável quantidade de produtos comercializados hodiernamente, o qual demonstra que desde a infância se inicia o processo supracitado, a alienação. Desta maneira, os canais de comunicação, coercitivamente, induzem os jovens a participar deste mundo caótico, bem como lhes transmite a ausência de senso crítico por apresentar uma falaz e viciosa sensação de euforia, difícil de ser rompida.

Destarte, torna-se imprescindível a adoção de medidas a fim de solidificar políticas que visem o combate da publicidade como ferramenta de exploração infantil. Assim, o Ministério dos Direitos Humanos e o Ministério da Educação, devem, por meio de verbas públicas, intervirem na realização de campanhas midiático-digitais, com o intuito de formar os jovens e informar os cidadãos quanto aos legítimos impactos de tais propagandas apelativas, bem como promover debates, em meios essencialmente escolares, acerca da temática. Dessa forma, espera-se frear a presença da publicidade imprópria e a promoção de uma nova geração radicalmente consumista.