ENEM 2014 - 1ª aplicação - Publicidade infantil em questão no Brasil.

Enviada em 15/04/2021

Embora a Constituição Federal de 1988 assegure, em seu artigo 6, o direito à proteção da infância como direito de todo cidadão, nota-se que na atual realidade brasileira, não há o cumprimento dessa garantia, principalmente no que diz respeito, à publicidade infantil abusiva. Nesse contexto, devido à insuficiência governamental, além da mentalidade influenciável da criança.

Em primeiro lugar, vale destacar que a escassez de atitudes do Estado, perante as sérias consequências que a publicidade infantil imoderada acarreta, contribui para problemática. Nesse horizonte, Hannah Arendt, em “A crise da cultura”, diz que o mercado e a mídia se utilizam do entretenimento como forma de dominação cultural e de homogeneização da massa consumista. Nesse viés a falta de regulamentação de anúncios midiáticos, por parte do governo, faz com cada vez mais as crianças sejam submetidas a uma onda de propagandas que incentivam o consumo desenfreado.      Ademais, deve-se ressaltar que a publicidade infantil é destinada a um público que ainda não possui um senso crítico formado, facilitando assim a sua manipulação. Segundo o filósofo inglês John Locke, o homem nasce como uma folha em branco. Dessa forma, é evidente que comerciais midiáticos afetam diretamente o desenvolvimento infantil, já que este público ainda está com sua identidade em construção. Com isso, produtos anunciados pelas redes televisivas, associados a brindes e desenhos infantis, atraem as crianças, que partem do pressuposto de que a felicidade está condicionada à obtenção de tal produto. Diante do exposto, a conscientização é indispensável para a reversão da situação.

Portanto, com o objetivo de amenizar essa problemática, é primordial que o Governo, por meio do CONANDA (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente), aumente a fiscalização de propagandas destinadas ao público infantil, com o intuito de que os menores não sejam negativamente influenciados pelo conteúdo dos comerciais e não cresçam como cidadãos alienados pela mídia. Outrossim, é de extrema importância que a escola, através de palestras, campanhas e debates, promova uma discussão acerca do tema, para que as crianças desde cedo criem a capacidade de discernimento, e não reproduzam atitudes consumistas. Somente após estes atos a Carta Magna estará sendo respeitada.