ENEM 2014 - 1ª aplicação - Publicidade infantil em questão no Brasil.
Enviada em 17/04/2021
É comum vermos comerciais direcionados ao público infantil, principalmente, com a existência de personagens famosos, músicas para crianças e parques temáticos. Percebe-se, nesse sentido, que a indústria de produtos destinados a essa faixa etária cresce de forma nunca vista antes. No entanto, tendo em vista a idade desse público, surge a pergunta: as crianças estariam preparadas para o bombardeio de consumo que as propagandas veiculam? Por isso, torna-se necessário o debate acerca da capacidade de convencimento dos meios de comunicação e do marketing.
A priori, é imperioso destacar que a capacidade de convencimento dos meios de comunicação já foram responsáveis por mudar o curso da História. Isso se torna mais claro, por exemplo, ao observar que a imprensa, no século XVIII, disseminou as ideias iluministas e foi uma das causas da queda do absolutismo. Mas não é preciso ir tão longe: no Brasil redemocratizado, as propagandas políticas e os debates eleitorais são capazes de definir o resultado de eleições. Desse modo, é impossível negar o impacto provocado por um anúncio ou uma retórica bem estruturada.
Outrossim, é imperativo pontuar que o problema surge quando tal discurso é direcionado ao público infantil. Isso porque, comerciais para essa faixa etária seguem um certo padrão: enfeitados por músicas temáticas, as cenas mostram crianças, em grupo, utilizando o produto em questão. Logo, tal manobra de “marketing” acaba transmitindo a mensagem de que a aceitação em seu grupo de amigos está condicionada ao fato dela possuir ou não os mesmos brinquedos que seus colegas. Sendo assim, uma estratégia como essa gera um ciclo interminável de consumo que abusa da pouca capacidade de discernimento infantil.
Depreende-se, por conseguinte, a necessidade de se alterar o cenário da publicidade infantil no Brasil. Para tanto, o Ministério de Cultura deve ampliar a legislação atual a fim de limitar, como já acontece em países como Canadá e Noruega, a propaganda para esse público, visando à proibição de técnicas abusivas e inadequadas. Além disso, cabe ao Ministério da Educação inserir, nas escolas, desde a tenra idade, a disciplina de Conscientização, a qual irá focar na conscientização dessa faixa etária em escolas, com professores que abordem esse assunto de forma compreensível e responsável. Só assim construiremos um sistema que, ao mesmo tempo, consiga vender seus produtos sem obter vantagem abusiva da ingenuidade infantil.