ENEM 2014 - 1ª aplicação - Publicidade infantil em questão no Brasil.
Enviada em 02/06/2021
Na primeira metade do século XX, o Brasil recebeu notórias influências do modo de vida estadunidense, em um processo histórico denominado “American Way of Life”. Nesse sentido, o tecido coletivo encontrou-se imerso em múltiplas possibilidades de consumo, refletidas em propagandas e comerciais televisivos, por exemplo. Hodiernamente, a questão da publicidade expandiu-se ao âmbito infantil, de forma a trazer inúmeras consequências, a saber: alheiamento das crianças frente à realidade e propulsionamento precoce ao consumismo.
Em primeira instância, é lícito postular que, devido a não completa formação do senso crítico e das capacidades cognitivas, o público infantil tende a ser um fácil alvo de manipulação e alienação, revelando a intensa problemática advinda do bombardeio de informações publicitárias. Assim, consoante ao insígne filósofo contemporâneo Jurgen Habermas, os meios de comunicação, os quais não são restritos somente ao mundo tecnológico, possuem relevância social a partir do momento em que são utilizados para agregar valores à convivência em sociedade, possibilitando a obtenção de dados que darão significância à constituição do indivíduo. Logo, infere-se que, destituídas do saber a respeito do real e, concomitantemente, submersas em um cenário permeado por ficções, personagens e cores, as crianças desenvolvem uma deficiente visão contestadora da ordem social, tornando-se alheias ao processo como um todo.
Outrossim, é válido ainda ressaltar que, segundo Adorno e Horkheimer, importantes sociólogos da Escola de Frankfurt, a atual sociedade está condenada ao complexo ciclo do consumismo, o qual se embasa na perspectiva capitalista. Dessa maneira, indivíduos compreendidos em baixa faixa etária não escapariam da lógica proposta pelos autores, sendo que tais indivíduos movimentam enormemente o mercado consumidor, assim como viabilizam a constante inovação e a produção desmedida.
Destarte, faz-se necessária a adoção de ações concretas, a fim de que a intensa publicidade direcionada ao público infantil seja feita de forma regulada, tal qual ocorre em países como a Noruega e o Canadá. Para tanto, urge o Ministério da Educação promover o programa “Menos Persuasão, Mais Informação”, o qual atuará por meio de canais e comerciais televisivos, em horário nobre, fornecendo imagens e vídeos educativos que compõem o acervo cultural nacional. Com efeito, permeará na conjuntura brasileira comunidades devidamente informadas e distantes das armas de dominação cunhadas pelos campos de marketing, publicidade e propaganda.