ENEM 2014 - 1ª aplicação - Publicidade infantil em questão no Brasil.
Enviada em 07/09/2021
Em 1986, o personagem símbolo da vacinação brasileira, Zé Gotinha, foi criado, com o intuito de promover a imunização da população, em especial das crianças. O uso de personagens como estratégia de marketing se popularizou desde então, em vista da resposta positiva da criação do mascote. Entretanto, no Brasil, a publicidade infantil é uma questão problemática. O público infantil é de fácil persuasão, o que é levado em consideração pelas marcas ao criarem métodos de venda que atinjam as crianças. Além disso, com a quantidade exacerbada de comerciais direcionados ao público infantil, pode ser desenvolvida, neles, uma necessidade de consumo vitalícia. Dessa forma, a propaganda para as crianças se torna um desafio na formação dos indivíduos da sociedade brasileira.
Em primeira instância, a publicidade, na contemporaneidade, se tornou ferramenta de manipulação do público infantil, uma vez que atrai as crianças a comprarem sem antes se questionarem dos efeitos positivos ou negativos do produto. No documentário “Criança, a alma do negócio" nota-se a importância da proteção delas frente à publicidade e ao consumo. As grandes marcas de fast food, por exemplo, utilizam brindes como forma de comercializar lanches que não são benéficos para a saúde das crianças, mas que são comprados pelo brinquedo que acompanha. Isso acarreta não só a impulsividade no comportamento infantil, mas também problemas na saúde pública, visto que o consumo de “fast foods” pode gerar doenças como a obesidade. Então, é necessário que as crianças sejam protegidas da persuasão dos comerciais.
Outrossim, a publicidade infantil pode causar dependência do consumo. Segundo o filósofo Lipovetsky, vivemos em uma hipermodernidade, em que a sociedade é guiada pela sedução. Isso se faz presente no cenário das publicidades, em que, pelo excesso de propagandas direcionadas às crianças, elas se tornam reféns do consumo pela atração. Nesse sentido, infla-se a necessidade do consumismo, que influencia o comportamento do indivíduo na vida adulta, sendo possível a formação de um cidadão que compra exageradamente, muitas vezes de maneira involuntária. Tal conduta incentiva uma comunidade materialista e egoísta. Assim, faz-se necessário impedir a formação da dependência no consumo.
Em síntese, a questão da publicidade infantil no Brasil é preocupante, e gera diversos problemas. Portanto, urge que o Congresso Nacional, como instância máxima de administração legislativa, crie leis de regulamentação das propagandas direcionadas ao público infantil, por meio de um apelo perante a situação atual da publicidade, a fim de reduzir os impactos dela nas crianças. Destarte, as crianças estarão protegidas de danos futuros, principalmente em relação à saúde física e mental, prevenindo o surgimento de doenças como obesidade e transtorno de impulsividade.