ENEM 2014 - 1ª aplicação - Publicidade infantil em questão no Brasil.
Enviada em 21/08/2021
A fome sem fim do capital
O capitalismo informacional, fase a qual vivemos na atualidade, é marcado pelo super desenvolvimento do meio técnico-científico e do setor financeiro, além do aumento da produtividade industrial e das redes de comunicação. No entanto, tal sistema político econômico afeta mais do que apenas o meio comercial, permeando todas as esferas do corpo social, o que pode ser visto com nitidez quando se trata da publicidade infantil no Brasil. Sem a devida fiscalização ou leis vigentes em constituição, o bombardeamento de informações e o condicionamento ao consumo direcionados aos indivíduos jovens passam a ser fenômenos comuns em nosso cotidiano, alimentando assim a incessável fome do capital por consumidores inconscientes.
Quando o consumo se torna sinônimo de felicidade, crianças e adolescentes ficam a mercê da mentalidade vazia do consumo. Ao ver a publicidade, onde os personagens esbanjam alegria e satisfação, o indivíduo jovem, com suas frustrações cotidianas passa a questionar a si, associando a resolução de sua problemática a compra de determinado produto. Muitas vezes tal consumo é até mesmo fundamentado por seus responsáveis, os quais também são dependentes da deglutição de produtos sem necessidade, entendendo esse como o único meio de comunicação com seus filhos. Dessa forma, a consumação adentra e modifica nossas relações sociais e nos edifica a segui-la. Ademais, em relação ao cenário internacional, segundo o levantamento realizado pela Folha no ano de 2014, 8 dos 14 países da pesquisa apresentaram proibição parcial da publicidade infantil, ou seja, os comerciais tem um grau baixo de regulamentação, o que por si já evidencia o poder e a influência do capital na área. Porém o caso brasileiro trona-se ainda mais preocupante, apresentando apenas a autorregulação, significando assim que não existem leis nacionais, portanto a regulamentação se dá por meio de acordos e normas do próprio setor, o que por sua vez deixa as crianças e os adolescentes brasileiros expostos a propagandas nocivas que são controladas pelas propriedades privadas e seus interesses.
Portanto, para combater o condicionamento infantil ao consumo e garantir o desenvolvimento de indivíduos responsáveis e conscientes, é necessária a devida regulamentação da publicidade infantil por meio da criação de um órgão estatal de publicidade, sendo vinculado ao Ministério das Comunicações, encarregando assim o Estado pelo devido atendimento e cuidado aos cidadãos, procurando ao máximo a proteção e a segurança dos jovens e garantindo assim o pleno desdobramento de adultos lúcidos e permeados pela ética.