ENEM 2014 - 1ª aplicação - Publicidade infantil em questão no Brasil.

Enviada em 21/09/2021

Um seriado televisivo chamado Chaves, exibido no Brasil desde os anos 80, possuí um personagem infantil chamado “Kiko”, o qual tem como característica principal o consumismo, pois, a todo momento, ele tenta se destacar por conseguir comprar os melhores e mais caros brinquedos. Nesse sentido, nota-se, contemporaneamente, que a publicidade infantil no Brasil tem induzido à formação de uma sociedade consumista. Tal fato se justifica porque a estratégia publicitária adotada induz desejos artificiais nas crianças, além disso, elas não sabem identificar as intenções publicitárias.

Nesse viés, é preciso elucidar que as campanhas publicitárias voltadas às crianças, em sua maior parte, têm o único sentido de arrecadar lucros, induzindo, assim, necessidades materiais, antes inexistentes, nas classes infantis. Segundo Russeau, filósofo iluminista do século XVIII, os bens de consumo, quando adquiridos por simples acumulação, podem corromper o homem. Nessa lógica, percebe-se que o mercado não se preocupa com o bem estar social, pois, ao formar uma criança consumista, tem-se no futuro, projeções sociais de uma comunidade artificial, pautada no desejo acumulativo de bens em detrimento das necessidades básicas e comuns a todos.

Outrossim, pode-se notar que as crianças, devido a inexperiência ou pouca instrução, não percebem as intenções mercadológicas das publicidades. De acordo com o departamento de pedagogia da Universidade de São Paulo (USP), mais de 90% das crianças de cinco a dez anos do Brasil acreditam que seriam mais felizes se pudessem obter todos os brinquedos que elas veem na televisão. Logo, percebe-se que as crianças enxergam no consumo de produtos infantis uma “fórmula da felicidade”, demonstrando como são inocentes diante dos desejos publicitários , que são vender o máximo possível sem se preocupar com as necessidades reais do ser humano.

Desse modo, faz-se necessário assegurar que as crianças brasileiras não sejam persuadidas pelo desejo do consumismo publicitário. Para isso, será necessário que o Ministério das Telecomunicações, por meio da criação de uma regulamentação específica, proíba propagandas que utilizem estratégias de convencimento infantil, para que assim, crianças brasileiras não sejam consumistas. Ademais, é preciso que o Ministério da Educação, a partir de uma didática adequada, exponha aos alunos de séries iniciais das escolas brasileiras, a intenção por trás do meio publicitário, dessa maneira, evitando que a criança seja facilmente induzida ao consumo. Feito isso, o Brasil poderá evoluir para uma sociedade em que as crianças, esclarecidas sobre o ato de consumo, voltem-se para pensar em temas mais importantes, como o bem estar social.