ENEM 2014 - 1ª aplicação - Publicidade infantil em questão no Brasil.

Enviada em 12/10/2021

Exploração comercial na publicidade infantil

Atualmente no Brasil a publicidade com o público alvo infantil é proibida. Porém, durante os anos 1950-80 o que mais existia era publicidades com crianças, muitas delas sendo abusivas, por exemplo uma dizendo “Inocência é mais sexy do você imagina” utilizando uma pequena garota com roupas para dormir antigas, divulgando um perfume de público alvo mulheres. Outro exemplo, é a propaganda da tesoura em formato de Mickey e Minnie, da Mundial, que trazia um garoto repetindo incansavelmente “Eu tenho, você não tem”, no qual incentivava o bullying nas escolas, pela causa de excluir o único aluno que não possui a tesoura.

No ano de 2014, a Resolução n° 163 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) declarou que era oficialmente proibido a abuso de qualquer publicidade dirigida diretamente ao público infantil, com a intenção de persuadi-las a comprar produtos e serviços, devido ao estimulo de consumo excessivo e ao abuso da convicção da criança em comprar algo. Umas das táticas mais comuns de persuadi-los é associar personagens ao produto a ser vendido. Segundo uma pesquisa realizada em 2017 pela Associação Brasileira de Licenciamento (ABRAL), um produto com um personagem conhecido pelas crianças tem 20% mais chances de venda do que o seu estoque normal sem estampas, tanto que é uma estratégia usar elementos do universo infantil para atrai-las. O mais famoso licenciamento de personagens internacionais é da Disney e nacional é da Turma da Mônica ou times de futebol. Crianças brasileiras passam em média 5 horas em frente à televisão por dia e 75% das crianças de 9 a 17 anos acessam a internet mais de uma vez por dia, o que as tornam vulneráveis ao bombardeio de divulgações. Os pais com a rotina de trabalho e compromissos, além do fácil acesso a conteúdo na internet, a publicidade pode se aproveitar deste cenário para se comunicar direto com eles, sem a mediação de pais e responsáveis.

Contudo, esse tema é muito importante para a saúde das crianças e para protege-las das pressões do mercado e da exploração comercial. Ainda é possível fazer publicidade infantil de forma responsável sem prejudicar a ninguém, assim auxiliando o consumidor – pais e responsáveis – sem a coação dos filhos aos pais. Vanessa Vilar, presidente do comitê jurídico da ABA (Associação Brasileira de Anunciantes) acredita que os patrocinadores das peças publicitárias devem contribuir na educação dos jovens consumidores. “A educação para o consumo é o que pode formar cidadãos mais responsáveis e informados que poderão fazer melhores escolhas”, afirma.