ENEM 2014 - 1ª aplicação - Publicidade infantil em questão no Brasil.

Enviada em 19/10/2021

Com o advento do modelo econômico capitalista, a cultura do consumo passou a doutrinar os mais sugestionáveis, nos quais seus ideias são mais facilmente internalizados. Nesse sentido, a questão da públicidade infantil no Brasil debate não só a legitimidade da exploração do público menor de idade pelas empresas, mas também os efeitos negativos dessa influência no consumidor em sua fase adulta.

Ademais, para Bauman, o homem que vive na sociedade de consumo é ensinado que também é mercadoria, e por isso deve agregar valor a si por meio de bens. Dessa forma, a relação do ser em detrimento do ter se torna uma dependência tóxica. É nesse contexto que a propaganda juvenil tem sua validade questionada, uma vez que influência as necessidades do público, de maneira não ética, por meio de personagens infantis, linguagem acessível ao público alvo, bem como estereótipos sobre a aceitação e felicidade por meio de seus bens.

Entretanto, a questão é problemática na medida em que seus efeitos negativos são manifestados tanto no indivíduo isolado, quanto no ideário coletivo. Assim sendo, o consumidor torna-se compulsivo e perde o senso crítico sobre suas escolhas, depois de bem fundamentado na infância os desejos e as necessidades que o mercado impõe. E, por consequência, entra num cíclo infinito por meio da busca pela realização pessoal baseada no poder de compra, que gera dinheiro para as empresas e insatisfação para o sujeito.

Portanto, é necessário que o Ministério da Comunicação, órgão responsável por democratizar e universalizar o acesso aos serviços de comunicação, crie o setor de qualidade da propaganda infantil. Por meio de uma banca formada por psicólogos e profissionais de marketing, que avaliem o grau apelativo da peça públicitária. Com o objetivo de reduzir o controle do capitalismo sobre quem é facilmente controlado e, nessa lógica, formar consumidores mais conscientes e menos manipuláveis