ENEM 2014 - 1ª aplicação - Publicidade infantil em questão no Brasil.
Enviada em 30/05/2023
Após o término da Primeira Guerra Mundial, em 1918, espalhou-se pelos Estados Unidos o “American Way of Life” - Estilo de vida americano, em tradução livre. Este modelo se caracterizou pelo consumismo, padronização sociocultural e ideias de liberdade. Nesse contexto, houve também no Brasil a apropriação de tais valores, sobretudo no campo do consumo de bens, o que, por sua vez, propiciou o avanço publicitário no país. Contudo, sem que houvesse regulamentação sobre o teor das propagandas, a publicidade infantil brasileira foi amplamente explorada e, com isso, as próprias crianças.
Sob esse viés, embora o Conselho Nacional de Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) tenha proibido, em 2014, a publicidade infantil em todos os meios de comunicação, deve-se atentar para o conteúdo criado nas redes sociais. Isto é, se por um lado é possível regulamentar uma empresa, o mesmo não ocorre com os influenciadores digitais e, assim, conforme estes expõem rotinas e os produtos que consomem na internet, decorre que influenciam toda a sociedade.
Ademais, devido ao fato de que a população mais jovem é mais sucetível a não compreensão das relações mercadológicas, como a criação do desejo do consumo, ao explorar essas fragilidades sem que se ensine como lidar com tais impulsos tende a elevar o número de casos de obesidade, alcoolismo e até a exploração infantil, como aponta um estudo da The Economist Intelligence Unit, o qual destaca que a economia relacionada aos distúrbios causados por propagandas poderiam alcançar o valor de R$ 76 bilhões de reais.
Portanto, cabe ao Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) expandir os termos de uso, junto às empresas que atuam na internet, como o YouTube, com o propósito de coibir a criação de conteúdos cuja finalidade é a de apenas expor produtos ao público infantil. Essa fiscalização seria realizada pelo Conar por meio de denúncias dos próprios usuários e também pela utilização de inteligência artificial das empresas do setor tecnológico para detectar e bloquear conteúdos impróprios. Assim, haveria o aumento da proteção aos jovens, evitando com isso, a decorrência de problemas criados pelo desejo do consumo.