ENEM 2014 - 1ª aplicação - Publicidade infantil em questão no Brasil.

Enviada em 30/01/2024

A expansão do capitalismo, após a Guerra Fria de 1985, gerou consequências para o mundo, sendo uma delas a promoção do consumismo. Nesse sentido, para atingir o lucro desejado, empresas com produtos voltados ao público infantil utilizam da vulnerabilidade desse e da publicidade sem considerar as consequências. Dessa forma, as publicidades para menores causam mudanças comportamentais derivadas da manipulação de gostos e, sobretudo, é antiético.

Utilizando o conceito de “hegemonia” de Antônio Gramsci, que se refere ao domínio das massas por meio da cultura e ideologia, entende-se que a mídia e a publicidade moldam percepções e comportamentos infantis para estimular a compra de produtos. Nessa persepctiva, crianças que desejam entrar em certos grupos de amizades - e suas brincadeiras - são pressionadas a adquirir brinquedos específicos, ou, caso contrário, serão alvos de chacota e piadas maldosas. Isso, então exemplifica as mudanças comportamentais causadas pelas propagandas infantis.

Ademais, é imoral a prática publicitária de usar a falta de discernimento crítico, imaturidade cognitiva, e a vontade do pertencimento em determinados grupos sociais de uma criança. As propagandas direcionadas ao público infantil são projetadas para serem visualmente, acusticamente e emocionalmente apelativas, ilustrando o item sendo usado pelo próprio público alvo, a fim de atrair outros indivíduos da mesma faixa etária. Assim, fica evidente a existência de uma discrepância moral nas estratégias de marketing, onde a ética é, muitas vezes, sacrificada em prol do lucro.

Portanto, cabe ao Estado proibir a veiculação de publicidades infantis por meio da implementação de decretos nacionais, com o intuito de previnir a manipulação de comportamentos e preferências infantis. Adicionalmente, o CENPEC em parceria com o Conac, deve promover campanhas de abrangência nacional para conscientizar pais e filhos sobre o poder de sedução dessas propagandas, orientando-os sobre como resistir a essas influências. Como efeito, a abolição dessas publicidades contribuiriam para o desenvolvimento mais saudável, livres de qualquer influência comercial.