ENEM 2014 - 1ª aplicação - Publicidade infantil em questão no Brasil.

Enviada em 15/07/2024

Segundo Hanna Arendt, não apenas a propaganda política, mas todo tipo de publicidade existe um elemento de coerção. Sob essa ótica, percebe-se que a propaganda é um meio eficaz de controle social, muito utilizado atualmente para incentivar o consumismo, inclusive o do público infantil. Essa prática antiética é fruto do capitalismo predatório e do descaso governamental, e pode ocasionar em problemas psicológicos e físicos para as crianças. Dessa forma, torna-se essencial a mitigação de seus efeitos.

Sob esse viés, é fundamental enfatizar a relação do modelo socioeconômico com a publicidade infantil. Essa associação pode ser entendida pelo pensamento de Max Weber, o qual identifica uma burocratização excessiva em busca de lucro no capitalismo moderno. Diante disso, uma razão fria substitui valores humanistas na sociedade, o que incentiva, por exemplo, uma publicidade manipuladora, que aproveita de gatilhos infantis. Por conseguinte, é utilizado personagens de desenho em propagandas para induzir a vontade da criança, independente se o produto é um alimento prejudicial, como “fast-foods”, ou se a maioria dos pais terão condições de comprar.

Ademais, observa-se que o Estado é negligente, pois não limitou a publicidade infantil no Brasil. Para o sociólogo Émile Durkheim, quando existe a ausência de normas sociais, configura uma situação de Anomia, resultando na desordem e na quebra da coesão social. Em vista disso, a falta de regulamentação dessas propagandas abre espaço para intensificação de práticas antiéticas, pois a criança, a qual não apresenta um cérebro desenvolvido, está mais sujeita a ser manipulada.

Dessa forma, a coerção publicitária exercida nesse público é mais eficaz.

Depreende-se, portanto, que ações são cruciais para enfrentar os riscos da publicidade infantil. Assim, o legislativo – poder responsável por criar leis – deve restringir as propagandas para crianças, por meio de normas que regulam a utilização de gatilhos infantis, a fim de mitigar os efeitos da manipulação publicitária em um público tão jovem. Tal normativa deve ainda contar com um canal de denúncias amplamente divulgado nas redes sociais. Diante disso, o Estado brasileiro passa a proteger as crianças de um sistema socioeconômico coercitivo.