ENEM 2014 - 3ª Aplicação - Alternativas para a escassez de água no Brasil
Enviada em 07/05/2020
Como diz a canção, o Brasil é um “país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza”. No entanto, toda essa dádiva divina tem sido, literalmente, jogada pelo ralo. Fato evidenciado pela crise hídrica, sentida em todo o país, a qual é a conta a pagar pelo desmatamento e pela má gestão dos recursos hídricos.
Em “O quinze”, Rachel de Queiroz revela o drama dos nordestinos perante a escassez de água. Porém, mais de um século depois da grande seca descrita pela autora, o povo nordestino entendeu que não se luta contra a seca, mas se convive com o semiárido. Nesse sentido, soluções de baixo custo, como cisternas de captação de água da chuva, têm garantido uma vida bem diferente do narrado na literatura nacional.
Contudo, a falta de água não se deve apenas à diminuição das chuvas, mas à incapacidade do Estado em combater o desmatamento, preservar os mananciais e evitar o desperdício. Essas três ações estão intimamente relacionadas. O desmatamento, em grande medida devido à agricultura, é o causador da degradação das nascentes. Além disso, o desperdício também é maior nos cultivos agrícolas, embora aconteça em todas as etapas do consumo. Com o discurso de que o Brasil tem vocação para o Agronegócio, esse virou o carro-chefe da economia do país. Porém, cerca de 70% do consumo de água deve-se à produção agrícola. Dessa forma, exportar commodities significa exportar água.
Dessa forma, a solução é uma agricultura sustentável ecologicamente, voltada à produção de alimentos para o mercado interno. Entretanto, não se pode esperar ingenuamente que o Estado e as empresas do Agronegócio promovam as mudanças necessárias sem que haja pressão popular. Os consumidores devem exigir transparência e o Estado, por sua vez, deve punir com multas as empresas que utilizarem tecnologias arcaicas de irrigação e desmatarem além do fixado em lei para cada região.