ENEM 2014 - 3ª Aplicação - Alternativas para a escassez de água no Brasil

Enviada em 05/08/2020

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade idealizada, formada por um corpo social isento de conflitos e problemas. Fora da ficção, vê-se que na realidade contemporânea brasileira ocorre o oposto do que o autor prega, uma vez que existem barreiras como a carência de água em diversas regiões brasileiras, impedindo a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da cultura do desperdício de água, pois a sociedade enxerga esse recurso natural como limitado, quanto do individualismo/falta de empatia, visto que os indivíduos da atual geração não se preocupam com a sustentabilidade, prejudicando as futuras gerações.

Em abordagem inicial, vê-se que a sociedade, em geral, possui a visão de que a água é um recurso infinito, o que corrobora para a escassez desse bem precioso. O filósofo francês Sartre defende que o ser humano escolhe seu modo de agir, visto que é livre e responsável. No entanto, observa-se a irresponsabilidade dos indivíduos no que tange à economia de água, fruto da cultura do desperdício. Assim fica claro que, em virtude da falta de consciência do corpo social brasileiro, há dificuldades de fornecer água a todos os cidadãos, como garante a Constituição Federal Brasileira de 1988.

Além disso, a falta de água no Brasil encontra terra fértil no campo do individualismo/falta de empatia. Na obra " Modernidade Líquida", o filósofo polonês Zygmunt  Bauman defende que a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo, fruto do capitalismo globalizado. Em virtude disso, há, como consequência a falta de empatia, pois para colocar-se no lugar do outro, é necessário deixar de olhar apenas para si. Essa liquidez e volatilidade que influem sobre a questão da escassez de água no Brasil, funciona como um empecilho para sua resolução

Infere-se, portanto, que urgem medidas para o melhor aproveitamento da água na sociedade contemporânea brasileira. A priori, compete ao Ministério da Educação e Cultura (MEC), em parceria com o governo, a elaboração de campanhas educativas que abordem sobre o uso da água de forma consciente, com o apoio das escolas públicas/privadas, visando conscientizar a geração futura acerca do uso desse recurso natural. Ainda é de responsabilidade do Estado, como instituição social, a mudança de pensamento da sociedade, fazendo com que os indivíduos pensem em sua descendência familiar, o que pode ser promovido pela mídia, através de propagandas, anúncios, etc. Com essas ações, espera-se promover maior economia e preservação de água no Brasil.