ENEM 2014 - 3ª Aplicação - Alternativas para a escassez de água no Brasil
Enviada em 22/12/2020
É provável que “Vidas Secas” de Graciliano Ramos seja um dos principais responsáveis por vincular a imagem da seca à figura do nordestino no imaginário popular. Contudo, a crise hídrica que atingiu São Paulo em 2014 e as progressivas mudanças climáticas evidenciam que a estiagem pode e poderá se tornar um problema para outras regiões do país, mesmo aquelas que historicamente não costumam enfrentar o problema. Por esse motivo, para lidar com a escassez d’água, é preciso tanto tratar da preservação das fontes hídricas quanto fomentar a adesão ao racionamento contínuo da água.
Em primeiro lugar, é de fundamental importância considerar o papel que as florestas desempenham no ciclo de renovação da água. Nesse sentido, convém destacar, por exemplo, a insubstituível função que a Amazônia cumpre ao enviar as fortes chuvas de verão para o Centro-Sul do país, pois é a evapotranspiração das suas folhas latifoliadas a origem dos chamados “rios voadores”, os principais responsáveis por encher parte dos reservatórios hídricos do Brasil. Assim, é perceptível que o desmatamento não só compromete a homeostase de um conjunto de ecossistemas, mas também prejudica a distribuição geográfica das chuvas no país. Em suma, proteger os biomas brasileiros e a maior floresta tropical do mundo é um dever e uma estratégia para evitar a escassez de água e assegurar a disponibilidade do recurso para todos.
Ademais, cabe ao poder público o compromisso de estabelecer o racionamento da água para além dos períodos de escassez, é preciso naturalizá-lo como um hábito entre a população e não apenas como uma medida de emergência. Embora o Brasil possua algumas das maiores bacias hidrográficas do mundo, como a bacia Amazônica e a do São Francisco, a abundância de água doce não admite o desperdício, sobretudo ao considerar-se que, na maioria dos casos, a água utilizada não é tratada antes de retornar ao meio ambiente. Por isso, assimilar o racionamento como um hábito é uma maneira de, ao mesmo tempo, construir uma consciência social acerca da finitude do recurso e, também, manter os níveis dos reservatórios elevados.
Portanto, pode-se assumir que, sem dúvida, a solução para a escassez d’água requer a consciência coletiva a respeito da preservação da natureza e da utilização eficiente do recurso. Sendo assim, é o dever do governo federal criar, por meio da Secretaria Especial de Comunicação Social (SECOM), campanhas publicitárias que, circulando em rádio, tv e internet, promovam a divulgação de dados científicos a respeito do problema, informando acerca da importância da proteção de nascentes, dos impactos de maus hábitos cotidianos, das responsabilidades de empresas e indústrias etc. Com isso, certamente a população e o Estado poderão evitar ou, ao menos, minimizar as futuras crises hídricas.