ENEM 2014 - 3ª Aplicação - Alternativas para a escassez de água no Brasil
Enviada em 12/10/2020
O livro “Vidas Secas”, escrito pelo brasileiro Graciliano Ramos, retrata o cruel semiárido nordestino, onde a escassez de água e a carência de projetos sociais degradam a qualidade de vida daqueles que ali vivem. Hodiernamente, a rarefação de água, infelizmente, é uma realidade não só do nordeste, mas de vários lugares do país. Nesse contexto, pode-se dizer que a raiz desse problema está atrelada ao agronegócio e é perpetuada pela incapacidade do Estado de elaborar alternativas para que isso não aconteça.
Mormente, o agronegócio configura-se como o principal fator para a perpetuação dessa problemática. Nessa conjuntura, dados revelados em 2015 pelo CPS (Centro de Pesquisas Sociais), apontam que a agricultura e a pecuária correspondem a cerca de 70% do consumo de água do país. Dessa forma, para alimentar um mercado consumidor ávido, proprietários de terras drenam montantes inimagináveis de água de rios e mananciais, a fim de criar vegetais e gados em grandes quantidades, o que é evidenciado, ainda, pela expansão da fronteira agrícola na região amazônica, fenômeno social que objetiva a terra e a água que ali estão. Destarte, enquanto empresários continuarem a explorar inconsequentemente a água, esse será um dos principais causadores da rarefação desse recurso.
Outrossim, é justo reconhecer as iniciativas do Estado que visam a atenuar o problema da escassez de água, como a transposição do Rio São Francisco, o qual mitigou consideravelmente o problema da sede que assolava o nordeste. Todavia, apenas isso não é suficiente para atenuar esse impasse, uma vez que essa alternativa, apesar de ser eficaz momentaneamente, não age na fonte do problema: a exploração da água por grandes empresários e, caso nada seja feito, poderá interromper o ciclo da água em vários locais. A esse respeito, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman afirma, em sua obra “Modernidade Líquida”, que algumas instituições, a exemplo do Estado, perderam sua função social, mas tentam conservá-la a todo custo, sendo denominadas de “instituições zumbis”.
Urge, portanto, uma solução para essa problemática que é tão preocupante para o país. Para isso, cabe ao Poder Judiciário criar uma lei que deve multar proprietários de terra que abusam exacerbadamente do recurso hídrico, mediante o uso de fiscais ambientais os quais possuirão mandato judicial para adentrar e investigar áreas de criação de gado e vegetação e multar em 30% do patrimônio dessas pessoas caso seja averiguado o desperdício de água nesses locais. Assim, uma legislação forte configura-se como uma ótima alternativa para a preservação da água, indo a favor da democratização desse recurso e poupar o Brasil de uma realidade seca, como a descrita por Graciliano Ramos