ENEM 2014 - 3ª Aplicação - Alternativas para a escassez de água no Brasil

Enviada em 04/12/2020

Apesar de ser conhecido como o país das águas por possuir as maiores bacias hidrográficas e aquíferos do mundo, o Brasil sofre problemas com a distribuição de água desde sua colonização. Um estudo realizado pelo Instituto Trata Brasil, aponta que o país atende somente 50,3% da população com rede coletora de esgoto e água potável. Decerto, medidas para evitar a escassez de água, como a utilização de sistemas de irrigação de plantações e construção de poços artesianos, como ainda a transposição de rios como o São Francisco, em longo prazo geram problemas.

Em primeiro lugar, é importante ressaltar o uso de pivôs e poços artesianos pelo Brasil e suas consequências. A saber, a situação do nordeste é a mais crítica em todo o país, como mostra a música atemporal de Luiz Gonzaga, Asa Branca. Na verdade, a música demonstra como a falta de recursos hídricos impedem o crescimento de plantações e resulta na morte do gado. O agronegócio utiliza, atualmente, das águas de rios ou aquíferos para a irrigação de plantações em grande escala, causando, portanto, uma redução do volume hídrico e desvio dos curso desses, além de poluí-los, como dito pelo geólogo Mário Silva.

Outrossim, um meio de distribuir água para regiões secas, como o norte de Minas Gerais e o Nordeste, seria a transposição do rio São Francisco. De fato, o projeto do Governo Federal de alterar o curso fluvial visava facilitar o acesso a recursos hídricos, contudo, o atraso do projeto e a falta de planejamento ocasionaram problemas econômicos e ambientais. Estima-se, de acordo com o Instituto de Pesquisa de Saneamento Básico, que serão gastos oito milhões de reais e destruídos 400 hectares de terras no mínimo. Logo, segundo Tié Lenzi, Mestre em Ciências Jurídico-Políticas, a alteração do curso do rio possui pequenas chances de solucionar os problemas de abastecimento hídrico, além de causar outros danos ao país.

Diante o exposto, é evidente que políticas públicas devem ser tomadas visando o acesso a água de maneira igualitária a todos. Cabe ao Ministério Público, junto aos governadores de cada estado, democratizar o acesso recursos hídricos, por meio do controle de um nível máximo de água gasto por estado, bem como a conscientização da população, com o objetivo de melhorar as condições sociais, e estimulando um menor desperdício. Dessa forma, a escassez de água seria solucionada, evitando o problema de fome e miséria que esta ocasiona.