ENEM 2014 - 3ª Aplicação - Alternativas para a escassez de água no Brasil
Enviada em 08/12/2020
O livro “Vidas Secas” , do romancista Graciliano Ramos, narra a história de uma família que migra devido às más condições de vida, como a falta de saneamento básico, sempre com a expectativa de encontrar um local na qual o futuro não seja incerto. É inegável, que fora da ficção, o Brasil hodierno têm enfrentado crises hídricas pelo uso ineficiente da água e pela alteração climática causada pelas ações antrópicas, o que pode levar a uma acentuação no entrave das secas no Brasil. Diante desse cenário, torna-se lícito postular as principais causas dessa problemática, como consumismo exagerado dos cidadãos e as técnicas, das indústrias, que esbanjam água contribuindo para a falta de água em todo o planeta.
Em primeira análise, convém citar que a escassez desse bem hídrico tornou-se um problema atemporal e aflige a sociedade hodierna à medida que sua demanda e consumo aumentam. Ademais, é necessário salientar que as indústrias favorecem a carência da água, ao visar a promoção de lucros comerciais do sistema de produção capitalista, através do “consumo virtual”, isto é, a quantidade hídrica utilizada para a fabricação de produtos, como roupas e automóveis. Deveras, o desperdício não provém unicamente dos cidadãos, mas também das empresas industriais que descuidam desse bem inorgânico.
Outrossim, é o consumismo exagerado, que colabora para o desperdício hídrico, pois para produzir qualquer produto, também, gasta-se fluido. Tal prisma, segundo o filósofo Tales de Mileto “Tudo é feito de água”. Igualmente, nota-se que a água invisível - líquido gasto para produzir produtos - inviabiliza, não raro, a consciência do desperdício por parte do consumidor. Ademais, a indústria cultural, definida por Theodor Adorno, acaba por impulsionar o telespectador a consumir cada vez mais, consequentemente, o cidadão comum esbanja esse recurso, também de forma indireta. Assim, cabe a divulgação desse gasto hídrico “invisível” para a melhor lucidez.
Por conseguinte, é indubitável a intervenção dos agricultores e da mídia para mudar o panorama da crise hídrica no país. Para isso, esse deve, por intermédio de propagandas, aclarar o consumo consciente de forma a atenuar os impactos do desperdício de água “invisível”, mostrando o gasto hídrico na produção de alimentos, roupas e outros. Concomitantemente a isso, aqueles, por meio da troca da técnica de irrigação, precisam, quando possível, adotar a irrigação de gotejamento de modo a consumir menos recuso líquido, pois tal mecanismo faz uso do fluido de maneira mínima atendendo as necessidades. Destarte, o bem mais precioso para a vida será de fato reconhecido, valorizado e consequentemente os impactos climáticos serão menores.