ENEM 2014 - 3ª Aplicação - Alternativas para a escassez de água no Brasil

Enviada em 14/12/2020

Em seu livro “Utopia“, Thomas More imagina uma sociedade esclarecida, em que todos são capazes de participar ativamente de um processo transformador de conscientização. Diante disso, é lícito afirmar que, no que concerne à saúde pública, o Brasil está distante do ideal de More, pois o país ignora medidas que potencialmente minimizariam a escassez de água no território nacional. Assim sendo, faz-se mister desvendar as origens e analisar as consequências dessa problemática, a fim de propor alternativas para mitigá-la.

Em primeira instância, é fulcral ressaltar a insuficiência legislativa como perpetuadora desse cenário deletério. Segundo Aristóteles, a política tem a função de preservar o bem-estar coletivo entre as pessoas de uma sociedade. Entretanto, diferentemente do pressuposto do filósofo grego, isso não ocorre no Brasil, visto que a falta de atuação estatal acerca da criação de leis que assegurem o uso mais eficiente da água no território nacional - fiscalizando os padrões de consumo do brasileiro, por exemplo - permite que a atual crise hídrica seja uma realidade contundente no país. Logo, é possível inferir que, para aproximar-se do pressuposto de Aristóteles, a passividade do governo deve ser superada.

Além disso, as repercussões desse imbróglio são incontestáveis. Por esse ângulo, convém salientar que a atual crise hídrica está diretamente relacionada à sede no território nacional. Nessa lógica, indivíduos que não têm acesso à água encaram desafios nocivos, como a desidratação corporal, fenômeno que está em desacordo com os preceitos da Lei Maior. Conforme a Constituição Cidadã, garante-se à população a inviolabilidade do direito ao bem-estar social e à saúde, o que, infelizmente, destoa da realidade do país, uma vez que, de acordo com dados do site de notícias G1, quase 22 milhões de brasileiros iam dormir com sede em 2010. Portanto, evidencia-se a necessidade de enfrentamento desse problema, de modo a cumprir a Carta Magna nacional.

Finalmente, para mitigar a atual crise hídrica no Brasil, o Estado, em parceria com a Agência Nacional das Águas, deve criar novas leis. Tal efeito pode ser alcançado por meio de um plano intitulado Desidratação Zero, tendo como objetivo a fiscalização dos padrões de consumo do brasileiro, assegurando o uso mais eficiente da água, bem como garantindo a diminuição da sede em escala nacional. Dessa forma, criar-se-á uma sociedade esclarecida, assim como ocorre no ideal de More.