ENEM 2014 - 3ª Aplicação - Alternativas para a escassez de água no Brasil

Enviada em 12/06/2021

Nunca perca a fé na humanidade, pois ela é como um oceano. Só porque existem algumas gotas de água suja nele, não quer dizer que ele esteja sujo por completo, disse Mahatma Gandhi. Associando esse pensamento a um contexto hídrico, a escassez de água funciona como gotas de sujeira poluidoras. Nesse prisma, fatores como a falta de informações e um pensamento banal impedem a limpeza do grande oceano chamado sociedade.

Em primeira análise, a restrição de acesso ao conhecimento dos perigos da carência de água mostra-se como um dos desafios para a resolução do problema. Conforme Arthur Schopenhauer, os limites do campo de visão dos indivíduos determinam sua compreensão acerca do mundo. Nesse aspecto, a fala do pensador justifica a causa da problemática: se os indivíduos não possuem informações suficientes - dados, exemplos, estatísticas - sobre a importância da água como recurso indispensável para o equilíbrio do ecossistema terrestre - rios, atmosfera, fisiologia dos seres vivos; o campo de visão será limitado, e a sociedade sofrerá com cidadãos que não se preocupam com a escassez hídrica. Por isso, é necessária a informatização social para que a civilização futura não sofra com a falta desse recurso equilibrador da convivência em harmonia.

Em segunda análise, um raciocínio trivial sobre o consumismo de fontes hídricas apresenta-se como outro fator dificultador do bem-estar. Segundo Annah Arendt, na teoria da “Banalidade do Mal”, o ato preconceituoso passa a ser feito inconscientemente quando os indivíduos normalizam tal situação, comparando com o uso excessivo de águas pela sociedade, por exemplo, lavar calçadas e usufruir de banhos demorados. Nesse sentido, esse gasto exacerbado é considerado “normal” pelos seres, pois pensam que esse fluído nunca terá fim, o que contribui e evidência a escassez hídrica a que o país está sujeito a sofrer futuramente. Por isso, combater a banalidade é primordial para evitar que a qualidade de vida sofra com a negligência do consumismo demasiado.

Portanto, medidas são necessárias para evitar a limitação desse bem precioso a todos os brasileiros. Por conseguinte, cabe ao Ministério da Educação realizar palestras, ministradas por psicólogos, com o “slogan”: “A água é importante”. Esse projeto pode ser feito mediante um diálogo - gratuito e aberto a toda população - entre o público presente e o especialista sobre a importância da água nas questões que assoam o país, com infográficos, exemplos reais e artigos, de modo que a população reflita sobre o seu uso do recurso, resultando em um corpo social informatizado e ativista da melhora da qualidade de vida. Dessa forma, a limpeza do grande oceano, a fé na humanidade e um campo de visão amplo e menos banal tornar-se-ão destinos certos.