ENEM 2014 - 3ª Aplicação - Alternativas para a escassez de água no Brasil
Enviada em 18/11/2021
De acordo com a projeção da Organização das Nações Unidas (ONU), até 2025, cerca de 3,5 bilhões de pessoas irão sofrer com a escassez de água no mundo. Diante desse cenário, embora o Brasil possua 12% da água doce mundial, a crise hídrica tende a se agravar mais ainda. Tal fato ocorre devido ao uso irresponsável dos recursos hídricos por setores pujantes da sociedade e, também, ao ritmo veloz da cultura do consumismo no corpo social, que tem ultrapassado todos os limites ambientais.
Primordialmente, a agropecuária é responsável por 72% do consumo da água no panorama brasileiro, segundo o relatório da Agência Nacional de Águas. Sob essa ótica, para além do uso expressivo desse bem, esse setor coloca em risco os rios e as nascentes mais importantes do país, concentradas no Cerrado, atual foco da expansão agrícola e pecuária. Ademais, com a remoção da vegetação nativa, há a redução da vazão dos rios e, consequentemente, mais falta de fluido para o abastecimento populacional. Além disso, o desmatamento também afeta negativamente o regime das chuvas que encheriam os reservatórios, ao causar a diminuição da absorção de água pelos solos. Dessa forma, a utilização consciente das terras é essencial para reverter esse cenário.
Outrossim, a relação entre consumo e o processo produtivo industrial é responsável por uma grande demanda hídrica. A chamada ‘‘água virtual’’ é o uso indireto de água por toda a população a partir de bens de consumo. A exemplo disso, na produção de algodão para a indústria têxtil são necessários, em média, 10.000 litros de água para cada quilo de algodão. Desse modo, o ritmo capitalista de acumulação que possibilita a existência de um marketing pautado na criação de modas e necessidades passageiras, além de coleções de roupas sazonais que estimulam o desejo de novas tendências em um ciclo infinito, vai contra a capacidade ambiental de arcar com todas essas exigências. Portanto, é imprescindível que o senso crítico da população seja estimulado a partir da consciência dos impactos dessas escolhas de consumo cotidianas.
Em suma, urge encontrar formas para combater a escassez de água nacional. Para isso, é imperativo que o Ministério da Agricultura - órgão responsável pelas políticas públicas e regulação desse setor - atue de forma rígida a fim de fiscalizar a gestão dos recursos hídricos destinados para a irrigação e garantir a obrigatoriedade do estudo do clima e do solo para atividade agropecuária, por meio do uso de sensores de solo e telemonitoramento das propriedades para evitar desperdícios. Em adição, o Ministério da Educação deve promover a educação socioambiental, com a finalidade de construir cidadãos cientes das consequências dos seus estilos de vida, por meio de campanhas e aulas na grade curricular sobre o tema. Assim, poderá ser vislumbrado um futuro no qual haja água para todos.