ENEM 2014 - 3ª Aplicação - Alternativas para a escassez de água no Brasil

Enviada em 09/08/2021

Em sua obra “Vidas Secas”, o autor brasileiro Graciliano Ramos apresenta a opressiva realidade de uma família que habita o semiárido nordestino, a qual é vítima não apenas da seca daquela região, como também do descaso das autoridades em atender às necessidades daqueles que sofrem com as condições climáticas do local onde vivem. Fora da ficção, vivências similares à retratada por Graciliano são observadas no contexto do Brasil contemporâneo, em que uma quantidade expressiva de cidadãos apresenta dificuldades em obter recursos hídricos. Diante disso, pode-se destacar a ineficiência governamental e a alienação coletiva como fatores que reforçam a sustentação de tal cenário.

De início, vale mencionar o Contrato Social, conceito que se refere à responsabilidade do Estado em promover condições dignas de vida para a população por ele representada, conforme definiu o filósofo inglês John Locke. No entanto, observa-se a quebra desse pacto no Brasil atual, uma vez que não são promovidas ações públicas eficazes no sentido de evitar a falta d’água de agrupamentos populacionais que enfrentam períodos de seca. Assim, é crucial que se ofereça assistência a tais brasileiros, o que pode ser efetivado mediante o desenvolvimento de infraestruturas que facilitem o acesso à água em regiões em que a estiagem é frequente.

Ademais, a normalização social dessa nefasta condição de subcidadania contribui para sua manutenção. Nesse sentido, a célebre pensadora Hannah Arendt discorre, em seu livro “Eichmann em Jerusalém”, acerca da banalidade do mal nas relações hodiernas, a qual seria resultado da deficiência de questionamento moral diante das adversidades suportadas por outras existências. Dessa forma, por carência de reflexão, não se revolta contra o descaso com que lidam aqueles que sofrem para conseguir água para beber ou realizar atividades domésticas, e, destarte, não se cobram os líderes do Estado por intervenções públicas para reverter essa problemática.

Portanto, verificam-se obstáculos estruturais no enfrentamento da escassez hídrica no Brasil. Logo, a fim de motivar o debate e a reflexão em relação a essa conjuntura, cabe ao Ministério da Educação, agente fundamental na formação socioeducacional dos cidadãos, a promoção de palestras em ambientes públicos - como parques, praças, escolas e universidades -, por meio da participação de pesquisadores especializados no assunto de crises hídricas e seus impactos na sociedade. Com isso, será possível atenuar a alienação coletiva, e, dessa maneira, exigir de figuras políticas estratégias eficientes para ampliar a disponibilidade de água a todos os necessitados.