ENEM 2014 - 3ª Aplicação - Alternativas para a escassez de água no Brasil
Enviada em 10/09/2021
“A Terra é azul”, afirmou Iuri Gagarin, ao ver o planeta pela primeira vez do espaço. Essa afirmação do cosmonauta soviético revelava seu espanto com a enorme quantidade de água que cobre o globo terrestre. Contudo, a disponibilidade do recurso hídrico para utilização humana nem sempre corresponde à tamanha proporção. No Brasil, por sua vez, a liderança mundial na disponibilidade desse mineral não tem sido suficiente para evitar a escassez de tal recurso natural. Isso decorre, principalmente, da má gestão dos recursos hídricos, bem como do uso ineficiente destes nos processos produtivos.
Sob essa perspectiva, observa-se que a negligência pública é direta influenciadora da recorrente escassez hídrica no Brasil. No que pese os preceitos constitucionais assegurarem a universalidade de direitos, como também a eficiência na prestação dos serviços públicos, o pleno usufruto da água ainda é algo passível de instabilidade. Essa insegurança advém, dentre outros motivos, da inoperante gestão do setor, que não investe devidamente na proteção dos mananciais, em estratégias de captação e armazenamento de águas pluviais e no adequado tratamento dos esgotos. Por conseguinte, essa apatia administrativa colabora, nitidamente, com os ciclos de exiguidade do bem em questão, o que afeta drasticamente o corpo social.
Outrossim, a otimização do emprego da água nos processos produtivos é o termo central para reverter o desperdício e evitar a falta desse elemento vital. Nesse sentido, apesar das repetidas campanhas nas mídias e escolas, a economia dos recursos hídricos vai muito além de fechar a torneira enquanto se escovas os dentes ou tomar banhos mais curtos. Na realidade brasileira, os grandes vilões do consumo são as indústrias e a agropecuária, as quais correspondem, juntas, a mais de 90% da utilização do líquido. Dessa maneira, sem o devido investimento tecnológico na aplicação eficiente de tal recurso, os esforços do conjunto dos cidadãos para mudar seus hábitos cotidianos serão fatidicamente infrutíferos.
Em face dessa problemática, fazem-se imperiosas, portanto, diligências para enfrentar a crise hídrica. Diante disso, convém a articulação entre os entes governamentais e os segmentos produtivos industriais e agropecuários, no sentido de aplicarem as normativas da Política Nacional de Recursos Hídricos, por meio da constante fiscalização, visando assegurar o regular abastecimento hídrico das populações. Sendo necessário, ainda, o emprego de novas tecnologias voltadas para o gerenciamento eficiente da água nos setores produtivos. Assim, será possível estabelecer uma fruição democrática e sustentável do precioso líquido.