ENEM 2014 - 3ª Aplicação - Alternativas para a escassez de água no Brasil
Enviada em 05/10/2021
Durante a segunda metade do século XX, o Mar de Aral, o quarto maior lago do mundo, situado na Ásia Central, sofreu com ações antrópicas, as quais, desviando efluentes desse lago para irrigações de plantações, levaram a um processo de desertificação de 95% da sua área original. Nessa lógica, nota-se, contemporaneamente, que a utilização irracional dos recursos hídricos brasileiros acarretará em escassez de água. Tal fato se justifica porque os governantes não exercem um planejmento hídrico eficiente, além disso, os setores agroexportadores do Brasil, de modo geral, não praticam sustentabilidade na utilização da água.
Em primeira análise, é preciso elucidar que a má gestão do uso da água é responsável pelo desperdício desse recurso em diversos setores, como, por exemplo, no processo de distribuição que, segundo o Sistema Internacional de Informações sobre o Saneamento (SNIS), apresenta 40% de perda de toda água captada. Logo, percebe-se que grande parte do problema da escassez hídrica encontra-se na estratégia ineficiente de distribuição de água, levando a um quadro de “hiperutilização” do recurso, pois a água perdida deverá ser reposta, visto que a demanda não diminui em função dos problemas de distribuição, apenas a oferta.
Outrossim, é necessário refletir sobre os processos de irrigação dos setores agroexportadores do Brasil que, em sua maioria, contaminam os lençois freáticos e rios com pesticidas e agrotóxicos misturados às águas de irrigação das plantações. Esse manejo não sustentável dos recursos hídricos leva à contaminação por metais pesados, como o chumbo, de certas bacias hidrográficas, o que inutiliza a água desse sistema para o consumo humano. De acordo com o Ministério da Saúde, mais de 1300 cidades brasileiras possuem agrotóxicos dissolvidos na água para consumo humano, o que demonstra que essas cidades sofrem escassez hídrica, visto que essa água não é própria para beber.
Desse modo, faz-se necessário assegurar o uso racional da água no Brasil. Para isso, será necessário que as Prefeituras Municipais, por meio de fiscalização das suas companhias e autarquias distribuidoras de água, fiscalize periodicamente, a partir de dados da demanda e oferta de água no município, a eficiência do serviço de entrega de água nas residências, para que assim, o desperdício e a possível escassez desse recurso sejam minimizados. Paralelamente, o Ministério da Agricultura, deve induzir, através de notificações e multas, o uso sustentável dos recursos hídricos pelos agricultores, dessa maneira, preservando as fontes hídricas de consumo humano. Feito isso, o Brasil evoluirá para uma sociedade que, diferentemente da população em torno do Mar de Aral, não sofrerá com o esgotamente de água.