ENEM 2014 - 3ª Aplicação - Alternativas para a escassez de água no Brasil
Enviada em 15/11/2021
Na obra “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, é retratada a história de um grupo de retirantes sertanejos, o qual arrisca sua vida na busca por melhores condições e para fugir da total escassez de água que assola sua região. Fora da ficção, hodiernamente, a realidade dos períodos de estiagem se faz cada vez mais presente, afetando a produção de energia e alimentos, por exemplo. Nesse sentido, urge elencar os principais obstáculos para o enfrentamento da crise hídrica no Brasil: a desigualdade regional evidente ao longo de todo o território e a falta de consciência ambiental para a preservação de florestas, principal fornecedor de recursos hídricos do país.
Em primeira análise, é indubitável como a desigualdade de recursos entre as regiões atua dificultando a realização de ações contra a falta de água. Sob tal perspectiva é válido retomar o processo de industrialização do território brasileiro, que se deu de forma rápida, atrasada e totalmente concentrada no Centro-Sul, fomentando um desenvolvimento urbano nessas áreas e empurrando as demais para a pobreza e estagnação de seu avanço tecnológico. Tal realidade foi fortemente exposta pela Segunda Fase Modernista, a qual explicitava os problemas e as diferenças entre as regiões. Sendo assim, observa-se uma grande defasagem de infraestrutura entre as zonas territoriais do país, tornando mais difíceis, caras e ineficientes as ações do Poder Público contra a crise hídrica.
Outrossim, é inequívoco dizer que há um descaso no quesito da preservação das áreas ambientais brasileiras, fator que atua como catalisador para o problema da estiagem. O fenômeno dos rios voadores ocorre na Floresta Amazônica e é o principal regulador do regime pluviométrico do país, visto que nele há a formação de imensas massas de água que circulam por todo o território, trazendo a chuva por onde passam. Entretanto, pode-se observar na prática um crescente índice de desmatamento da Amazônia, uma vez que, segundo dados divulgados pelo IBGE, durante o mês de abrim foram perdidos 581km² de área verde, maior marca dos últimos 10 anos. Portanto, evidencia-se a necessidade de políticas que reduzam o desflorestamento em questão no Brasil a fim de regular o regime de chuvas.
Destarte, explicita-se a urgência de ações públicas para reverter o quadro atual. Para a redução da desigualdade regional, o Ministério da Economia deve, por meio da concessão de isenções fiscais a grandes empresas, fomentar a industrialização das áreas ao Norte do país. Ademais, para a criação de uma consciência ambiental, o MEC deve, recorrendo a verbas liberadas pelo Governo Federal, introduzir palestras nas escolas, que detalhem a importância de se preservar áreas ambientais, maior fornecedor de recursos hídricos do país. Somente dessa maneira, será possível se afastar dos cenários descritos por Graciliano Ramos e pela Segunda Fase Modernista.